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Raiva humana: tudo o que você precisa saber

Atualmente, uma das pautas mais debatidas é a transmissão da COVID-19, causada pelo vírus SARS-CoV-2. Porém, existem muitos outros agentes patogênicos que, embora não sejam tão transmissíveis quanto este, também possuem grande importância. Um deles é o vírus da raiva humana

Muitas pessoas  já ouviram falar dessa doença devido à associação às mordidas de animais. Porém, você sabe quais são as outras formas de transmissão e como o tratamento é feito? Para saber a resposta dessas perguntas e entender a epidemiologia da raiva, continue a leitura!

O que é a raiva?

A raiva é uma doença infecciosa, causada pelo vírus do gênero Lyssavirus e da família Rabhdoviridae. Ela ocasiona um acometimento neurológico agudo, denominado encefalite progressiva, que apresenta letalidade de aproximadamente 100%. 

Devido à gravidade e ao risco de morte, a prevenção da doença é extremamente necessária e um importante problema de saúde pública. Por isso, cada país propõe diferentes ações no sistema de saúde e zoonose para reduzir os registros e a taxa de mortalidade pela enfermidade.

No Brasil, por exemplo, o Programa Nacional de Profilaxia da Raiva (PNPR) foi instituído em 1973. Desde então, a doença está controlada, e a ocorrência de raiva humana diminuiu. 

Epidemiologia da raiva

Entre os anos de 2010 e 2021, foram registrados 40 casos de raiva humana no Brasil. Cada região possui graus de incidência e agentes transmissores diferentes. Em um caso, o animal não foi identificado. Nos outros, os animais agressores foram:

  • morcegos (20 casos);
  • cães (9 casos);
  • felinos (4 casos);
  • primatas não humanos (4 casos);
  • raposas (2 casos).

Os casos de raiva em morcegos aconteceram em grande parte em 2021, quando 4 casos foram confirmados em Porto Alegre e 9 no Rio de Janeiro. Diante desse cenário, a preocupação era que os animais domésticos (cães e gatos) fossem vacinados para evitar o aumento das transmissões.

Como a transmissão ocorre?

Agora, você sabe o que é a raiva humana e quem a transmite. A principal forma de transmissão para o homem é a saliva de animais infectados por meio da mordedura, da arranhadura e/ou da lambedura. A mordedura é cerca de 50 vezes mais transmissível que a arranhadura. 

Os principais vetores dessa doença no mundo são os cachorros. Porém, em locais onde os animais domésticos são comumente vacinados, como é o caso do Brasil, os morcegos assumem esse posto. Também há relatos de transmissão por transplante de órgãos ou tecidos de doadores, porém de modo mais raro no mundo. 

Além das causas da raiva, é importante falar sobre os outros três ambientes de transmissão da doença.  Além do urbano, afetado por cães e gatos, as outras áreas acometidas pela doença são:

  • rural: envolve animais de produção, como bovinos e equinos, tendo o morcego hematófago como reservatório;
  • silvestre terrestre: circulação viral entre animais silvestres terrestres, como a raposa e o cachorro-do-mato;
  • silvestre aéreo: morcegos hematófagos e não hematófagos.

Como o vírus chega ao sistema nervoso?

Como falamos anteriormente, a doença acomete o sistema nervoso dos humanos. Ela causa uma condição denominada encefalite progressiva, que leva aos seguintes sintomas de raiva:

  • febre;
  • hidrofobia (medo de beber água devido aos espasmos musculares involuntários da faringe durante as tentativas de ingestão do líquido);
  • hiperatividade.

A doença evolui para paralisia, coma e morte. Isso ocorre, pois, o vírus da raiva tem predileção por tecido neural. Após a inoculação, ele se replica no músculo, entra nos neurônios e se espalha, de forma retrógrada, pelos nervos sensoriais/motores periféricos. 

Em uma velocidade de 50 a 100 milímetros por dia, ele se espalha até atingir os gânglios da raiz dorsal da medula espinhal. Desse local, sobe rapidamente para o sistema nervoso central (SNC). A rápida replicação no SNC leva à disseminação para outros órgãos, como coração, pele e glândulas salivares, com o vírus podendo ser excretado pela saliva. 

Tratamento para raiva humana

A raiva é uma doença com altíssima letalidade, devido ao importante acometimento do sistema nervoso central. Por isso, é fundamental entender a forma de transmissão para atuar de modo a preveni-la. 

A principal prevenção no meio urbano é a vacinação de animais de estimação. Ela deve ser anual para manter cães, gatos e tutores protegidos. A ação estimula a produção de anticorpos que neutralizam o vírus e impedem a disseminação para outras partes do organismo, como o SNC. 

De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária, a prevenção em humanos deve ser feita evitando o contato com animais de rua e silvestres. Caso haja contaminação, o tratamento para raiva em humanos é feito pela aplicação da vacina antirrábica e da imunoglobulina antirrábica humana. 

O paciente que teve contato com a saliva de animal contaminado e apresenta sintomas deve procurar atendimento médico imediatamente. Cada organismo pode reagir de diferentes formas, apresentando outros sintomas. O grau clínico pode piorar de forma rápida.

Aprenda mais sobre outras doenças

Agora, você já sabe tudo sobre a raiva humana e pode diagnosticá-la nos pacientes do seu plantão. Aproveite sua visita no nosso blog para aprofundar seu conhecimento sobre outras doenças e se sentir ainda mais confiante para analisar quadros clínicos. 

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RafaelCarvalho Almada Melo

Rafael Carvalho Almada Melo

Nascido em Teresina em 1991, formado pela Universidade de Brasília (UnB) em 2018, com residência em Medicina de Família e Comunidade pela Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis, concluída em 2021. Por um cuidado humano e baseado em evidências.