Sintomas da tuberculose: conheça os principais sinais da doença

Conteúdo / Medicina de Emergência / Sintomas da tuberculose: conheça os principais sinais da doença

Os sintomas da tuberculose são manifestações clínicas que ajudam a reconhecer uma das doenças infecciosas mais relevantes da atualidade. A tuberculose (TB) é uma doença infecciosa que, apesar de muito antiga, ainda continua sendo um importante problema de saúde pública no Brasil e no mundo em desenvolvimento.

Ela é causada por uma micobactéria, o Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch, e pode se manifestar de forma silenciosa ou apresentar sintomas arrastados e inespecíficos, podendo comprometer diversos órgãos do corpo, sendo o pulmão o mais frequentemente acometido.

É crucial que o profissional de saúde saiba identificar os sintomas da tuberculose em suas diferentes formas de apresentação para garantir o diagnóstico e tratamento adequados.

O que é Tuberculose?

A tuberculose é uma infecção que acomete prioritariamente os pulmões (forma pulmonar), mas pode acometer diversos órgãos do nosso corpo (formas extrapulmonares). Os sintomas da tuberculose variam de acordo com o sistema acometido, e em alguns casos, a infecção não apresenta sintomas, caracterizando a forma latente.

Seu agente causal é uma micobactéria, ou seja, é um bacilo aeróbio que se diferencia das demais bactérias por conter ácido micólico em sua parede celular (por isso, micobactéria), e isso promove uma resistência físico-química, maior sobrevivência em macrófagos, e resistência aos antibióticos.

Quanto à transmissão da tuberculose, geralmente se dá por meio da eliminação de aerossóis por pacientes com as formas pulmonar ou laríngea da doença, nas formas bacilíferas, e essas formas aerolizadas do bacilo podem permanecer suspensas no ambiente por horas. Por isso, o diagnóstico precoce, o tratamento de indivíduos infectados e a avaliação de contactantes são as formas mais efetivas de controle da doença.

Os sintomas da tuberculose ativa, no geral, vão aparecendo de forma insidiosa e arrastada. O paciente pode ficar mais cansado, desanimado ao longo dos meses, e a presença de tosse crônica, febre vespertina, sudorese noturna e perda de peso não intencional constituem a apresentação clássica da doença.

Sintomas clássicos da Tuberculose Pulmonar

A manifestação pulmonar é a mais frequente e a mais importante para a saúde pública, devido ao risco de transmissão. Corresponde a cerca de 85% dos casos da doença.

Divide-se nas formas primária e pós primária. A primeira é mais comum em crianças, os sintomas sistêmicos são mais frequentes que os respiratórios, como irritação, febre baixa e adinamia, e é geralmente autolimitada. Já a forma pós primária se inicia com a reativação de focos granulomatosos latentes, e aqui temos os sinais clássicos da tuberculose pulmonar, que incluem:

  • Febre: É bem frequente, geralmente se apresenta como febre baixa, vespertina (ao final da tarde) e sem calafrios, principalmente no início. Contudo, picos febris altos também podem ocorrer.
  • Tosse Arrastada: É marcante na tuberculose. Em áreas endêmicas, é aconselhada a investigação desta infecção em pacientes com tosse prolongada (acima de 3 semanas). Em geral, essa tosse é seca no início e pode progredir para tosse produtiva, com secreção purulenta ou mucoide. Pode haver presença de sangue, que se manifesta como escarro hemoptoico (em raias no escarro) ou até mesmo como hemoptises mais volumosas.

Manifestações inespecíficas e sinais de alarme

Na avaliação do paciente portador de tuberculose, frequentemente identificamos alterações características de doenças crônicas ao exame físico, como evidências de emagrecimento importante. Outros sintomas inespecíficos comuns são:

  • Sudorese: Incluindo a diaforese noturna relatada pelos pacientes, que pode ser bem intensa.
  • Mal-estar e fadiga.
  • Anorexia (perda de apetite).
  • Dor torácica não pleurítica.
  • Dispneia (falta de ar).

Ao examinar o aparelho respiratório, pode-se encontrar crepitações localizadas, mas é comum que, mesmo com anormalidades radiográficas extensas, os doentes apresentem ruídos adventícios mínimos ou até ausentes na ausculta.

Tuberculose Miliar

Outra apresentação da doença pulmonar é a tuberculose miliar, uma forma grave da doença que acontece pela disseminação da micobactérica por via hematogênica para múltiplos focos no organismo do paciente. 

Alcançam não só o parênquima pulmonar, mas também outros órgãos, e pode, inclusive, se apresentar sob forma de TB pulmonar concomitante com formas extrapulmonares da doença. Apresenta aspecto pulmonar radiológico típico, com numerosos micronódulos difusos, e é mais comum em pacientes imunocomprometidos.

Manifesta-se comumente com os mesmos sintomas inespecíficos da tuberculose pulmonar clássica, mas também pode apresentar:

  • Hepatomegalia.
  • Alterações em sistema nervoso central.
  • Alterações cutâneas.

Formas extrapulmonares da Tuberculose

As formas extrapulmonares da tuberculose são apresentações mais raras, sendo mais frequentes nos pacientes imunocomprometidos. A sintomatologia varia de acordo com o sistema acometido. Exemplos de formas extrapulmonares e seus sintomas:

  • Tuberculose Pleural: é a forma mais comum de TB extrapulmonar, e se manifesta com dor torácica do tipo pleurítica, febre, astenia, emagrecimento e tosse seca, sintomas comuns também na forma pulmonar da doença.
  • Tuberculose Pericárdica: forma rara de tuberculose extrapulmonar, geralmente causada pela disseminação retrógrada do Mycobacterium tuberculosis a partir da traqueia, brônquios ou linfonodos. É a causa mais comum de derrame pericárdico maciço nos países em desenvolvimento, e apresenta-se frequentemente com dor torácica, dispneia, edema de membros inferiores, e pode evoluir para tamponamento cardíaco e pericardite constritiva.
  • Tuberculose Óssea: corresponde a 10% a 35% dos casos de tuberculose extrapulmonar, e geralmente resulta da disseminação hematogênica do Mycobacterium tuberculosis a partir de um foco pulmonar primário ou focos extrapulmonares, como os nódulos linfáticos. A espondilodiscite tuberculosa é um diagnóstico diferencial muito importante de dor lombar crônica no Brasil, e a transição toracolombar é o segmento mais frequentemente envolvido. A tríade clássica é dor lombar + dor à palpação local + sudorese noturna. Outros sintomas que também podem estar presentes são perda de peso e alterações neurológicas.
  • Tuberculose Ganglionar: Essa é a forma de TB extrapulmonar mais comum em crianças e em pessoas vivendo com HIV, e associa-se com maior comprometimento do estado geral. O sintoma mais comum é o aumento do tamanho de gânglios linfáticos.
  • Tuberculose Meningoencefálica: ou meningoencefalite tuberculosa, cursa como uma meningite basal exsudativa, tem evolução subaguda ou crônica e acomete a base do crânio com exsudato e fibrose local, podendo, portanto, acometer os nervos cranianos com o desenvolvimento de sinais e sintomas decorrentes da paralisia deles. Pode, ainda, cursar com hipertensão intracraniana.
  • Tuberculose cutânea: tem uma grande variedade de apresentações, e pode resultar da extensão direta de um foco de tuberculose subjacente, da disseminação hematogênica ou linfática, ou da inoculação direta.

Tendo em vista a variedade de apresentações dessa doença, e sua grande importância no cenário epidemiológico brasileiro, é fundamental que o profissional de saúde consiga, diante do quadro clínico, suspeitar de tuberculose de forma rápida, para que o diagnóstico e o tratamento sejam feitos também de forma precoce, e para que a cadeia de transmissão seja interrompida o mais breve possível.

Conte com a gente para a sua aprovação!

Relembramos os principais sintomas da tuberculose. Agora, é possível identificar todos os sinais e manifestações da doença para tratá-la previamente, ainda mais pelo surgimento de casos no Brasil ser extremamente comum e pela complexidade de alguns quadros.

Além disso, se você está na jornada para aprovação nas principais provas de residência médica, que tal conhecer o Extensivo R1? Nosso curso é a opção ideal para a preparação para os programas de especialização. Ele conta com uma metodologia padrão-ouro, na qual você tem acesso a diferentes simulados e videoaulas.

É médico e quer contribuir para o blog da Medway?

Cadastre-se
Ana Clara Gonçalves Rebellato

Ana Clara Gonçalves Rebellato