Vasa Prévia: Definição, Fatores de Risco e Manejo da Emergência Obstétrica

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A vasa prévia é uma condição rara, porém catastrófica se não diagnosticada precocemente. Caracteriza-se pela presença de vasos sanguíneos fetais desprotegidos cruzando o orifício interno do colo uterino, situando-se abaixo da apresentação fetal. 

A rotura desses vasos durante a amniorrexe leva à exsanguinação fetal rápida, tornando-a uma das emergências mais temidas na obstetrícia.

Fisiopatologia e classificação da Vasa Prévia

Em uma gestação normal, os vasos fetais são protegidos pela geleia de Wharton no cordão umbilical. Na vasa prévia, os vasos, geralmente do próprio cordão umbilical, estão inseridos nas membranas ovulares, sem essa proteção.

  • Vasa Prévia Tipo 1: Associada à inserção velamentosa do cordão. Os vasos originam-se do cordão e correm pelas membranas até a placenta.
  • Vasa Prévia Tipo 2: Ocorre quando vasos fetais conectam o lobo principal da placenta a um lobo sucenturiado ou acessório, cruzando o colo.

Fatores de risco da Vasa Prévia

O rastreio direcionado é fundamental em pacientes com:

  • Placenta de inserção baixa ou placenta prévia no segundo trimestre.
  • Gestações múltiplas (gemelares ou trigemelares).
  • Placentas com lobos acessórios ou bilobadas.
  • Gestações resultantes de Fertilização In Vitro (FIV).

Quadro clínico clássico

Diferente do Descolamento Prematuro de Placenta (DPP), a vasa prévia apresenta-se de forma específica:

  1. Amniorrexe: Ocorre a ruptura das membranas (espontânea ou artificial).
  2. Sangramento Vaginal: Sangue de origem exclusivamente fetal (vermelho vivo e geralmente em moderada a grande quantidade).
  3. Sofrimento Fetal Agudo: Bradicardia fetal súbita ou padrão sinusoidal no cardiotocógrafo, evoluindo rapidamente para óbito fetal, já que o sangramento é proveniente da volemia do feto.

Diagnóstico e triagem ultrassonográfica

O diagnóstico antenatal muda radicalmente o prognóstico, com taxas de sobrevida que saltam de menos de 50% para mais de 95%.

  • Ultrassonografia Transvaginal com Doppler: É o padrão-ouro. O Doppler colorido identifica o fluxo pulsátil dos vasos fetais sobre o orifício interno do colo.
  • Momento do Diagnóstico: Idealmente realizado durante a ultrassonografia morfológica do segundo trimestre.

Manejo clínico e resolução da gestação

Uma vez diagnosticada no pré-natal, o objetivo é evitar o trabalho de parto e a rotura das membranas.

  • Internação: Recomendada entre 30 e 32 semanas para monitoramento rigoroso.
  • Corticoterapia: Indicada para aceleração da maturidade pulmonar fetal.
  • Resolução: Parto por Cesariana Eletiva geralmente programado entre 34 e 36 semanas, antes do início de contrações uterinas.
  • Emergência: Se houver sangramento vaginal ativo e suspeita de vasa prévia, a resolução deve ser imediata por via abdominal.

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Daniela Simões Simonian

Daniela Simões Simonian

Graduada em Medicina pela PUC Campinas. Realizou a residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pela mesma instituição e se subespecializou em Medicina Fetal pela USP-RP.