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Assistolia: você conhece tudo sobre essa condição?

Fala moçada! Será que você já sabe tudo sobre assistolia? Ou ainda dá pra refinar os conceitos e melhorar nossa abordagem e raciocínio clínico frente a um caso dessa condição? Hoje o papo é exatamente sobre isso! Assim, você vai aprender a reconhecer o ritmo e saber como conduzir a assistolia, sem deixar nada pra trás!

Imagem ilustrativa - Ritmo organizado evoluindo para assistolia
Figura 1 – Ritmo organizado evoluindo para assistolia (Créditos: Wikipedia)

Vamo do começo: o que é assistolia? 

Assistolia (a = negação; ausência + sistolia = sístole; contração) é a ausência completa de atividade elétrica e mecânica cardíaca. É um ritmo de parada cardiorrespiratória e necessita de atitude médica imediata. Geralmente, a assistolia é o ritmo final de PCR e acontece com todas as pessoas que vão a óbito.

Na sala de emergência você certamente encontrará esta situação! Se estiver certo quanto ao diagnóstico eletrocardiográfico, nenhuma perfusão orgânica acontece e a RCP de qualidade deve iniciar o quanto antes.

A assistolia pode ser causada por uma causa reversível que, quando prontamente identificada e tratada adequadamente, melhora o prognóstico neurológico do paciente (ex.: hipercalemia grave). Não se pode esquecer dos clássicos 5 H’s e 5 T’s, nem de realizar a busca ativa a partir de anamnese e exame físico, que são fundamentais.

Figura com as causas clássicas de PCR - 5 H’s e 5 T’s
Figura 2 – Causas clássicas de PCR – 5 H’s e 5 T’s (Créditos: AHA)

O monitor tá com um traçado de linha reta. Posso ficar tranquilo?

Figura 3 – Assistolia.
Figura 3 – Assistolia (Créditos: ProACLS)

O traçado eletrocardiográfico clássico da assistolia é uma linha reta, conforme observado na figura ilustrativa. O erro fatal pode começar por aqui!

O clássico “protocolo de linha reta”, que aprendemos desde a época da faculdade, deve ser aplicado. Não dá pra deixar de aplicar a regra “CA-GA-DA”, bicho! Vai perder o doente muito provavelmente se isso acontecer, porque:

1)      “CA” – Parece bobagem, mas não é! Os cabos e conexões podem não estar acoplados e você acaba perdendo uma checagem de ritmo, atribuindo à assistolia o problema do paciente na sala de emergência. Às vezes um eletrodo desconectado pode te confundir. Após averiguar que o aparelho está ligado, sempre confira os CABOS.

2)      “GA” – Atividade elétrica, seja ela organizada ou não, pode ser de baixa voltagem. Tamponamento cardíaco pode se apresentar com baixa voltagem difusa no eletrocardiograma. Fibrilação ventricular “fina” pode passar despercebida e você fica sem entregar o choque precoce, como é recomendado no Suporte Básico de Vida. Para checar se é assistolia ou não diante de uma linha reta, não se esqueça de aumentar o GANHO do aparelho que capta o sinal eletrocardiográfico!

3)      “DA” – Se o paciente estiver com um ritmo organizado e a checagem pelas pás “enxergar” a derivação correspondente ao eixo cardíaco de forma perpendicular, ainda mais com baixa voltagem no eletrocardiograma, você deixa de fazer um diagnóstico eletrocardiográfico crucial. Mova as derivações com uma rotação de 90º. Aqui é para pensar o seguinte: a assistolia é o ritmo verdadeiro do paciente?

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Como é o tratamento? O que não devo fazer frente à assistolia?

O preconizado pela AHA nos guidelines sobre suporte básico e avançado de vida com relação ao tratamento da assistolia – que é um ritmo não chocável de parada cardiorrespiratória – é a RCP de alta qualidade juntamente à administração mais precoce possível de adrenalina endovenosa, na dose de 1 mg a cada 3-5 minutos. Superdoses de adrenalina não são recomendadas.

Garantir uma boa ventilação com a maior fração inspirada de oxigênio possível é obrigatório quando lidamos com uma assistolia, e devemos considerar a via aérea avançada.

Não está indicado atropina nem estimulação cardíaca artificial (marcapasso).

Tenha sempre estes conceitos em mente: assistolia é um diagnóstico eletrocardiográfico que firmamos após algumas conferências – como cabos, ganho e derivação – e, sendo um rimo de parada cardiorrespiratória, você precisa buscar ativamente causas clássicas de PCR e também realizar RCP de qualidade conforme o algoritmo do ACLS, beleza?

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DhiegoCampostrini

Dhiego Campostrini

Nascido em 1990. Médico graduado em 2014. Formado em Clínica Médica pelo Hospital Santa Marcelina-SP. Atual residente na disciplina de Cardiologia da UNIFESP-EPM. Ex-preceptor, médico concursado do Hospital do Servidor Público Municipal - SP. Apaixonado por aprender e ensinar; fascinado pela Medicina.