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Cirurgia de Trauma: saiba tudo sobre essa especialidade

Qualquer pessoa que já tenha estado na emergência de um hospital sabe que muitos dos casos que cruzam a porta incluem traumas causados por diversos motivos. Desde quedas e acidentes a ataques, esses quadros exigem os conhecimentos de uma área específica: a Cirurgia de Trauma.

O cirurgião especializado nesse tema é o profissional mais capacitado para atuar, multidisciplinarmente, na estabilização do paciente, na contenção e até na correção dos danos causados. Com uma rotina em que os dias nunca são iguais aos outros, essa pode ser a sua vocação profissional.

Ficou interessado nesse tema? Então confira tudo sobre a especialidade de Cirurgia de Trauma e entenda suas características!

A Cirurgia de Trauma é uma subespecialidade recente, mas sua importância é muito relevante

O que é a Cirurgia de Trauma?

A Cirurgia de Trauma é uma subespecialidade da área de Cirurgia Geral. Então ela envolve os cuidados cirúrgicos de pacientes que sofreram algum tipo de trauma, o que costuma exigir atenção imediata ou urgente.

Apesar da importância dessa área, ela é relativamente recente na forma de subespecialidade. Somente em 2011 foi reconhecida como segmento de atuação específico por parte do Conselho Federal de Medicina.

Como é a rotina desse profissional?

Parece fácil dizer que, na Cirurgia de Trauma, o profissional realiza operações de pacientes que sofreram traumas com diversos graus de gravidade. Porém, a rotina é muito mais complexa que isso, sabia?

Primeiramente, temos que considerar que os traumas costumam aumentar o risco de morte. Especialmente quando há uma grande perda de sangue ou quando órgãos vitais são afetados. A atuação imediata e precisa é fundamental para a sobrevivência e para a recuperação do paciente.

Então, é muito comum que o profissional tenha que atuar sob pressão, de maneira emergencial e correndo contra o tempo. A partir da entrada de um paciente com trauma grave ou ameaçador de vida, o cirurgião precisa aproveitar cada segundo para avaliar o quadro e atuar sobre ele.

Nesse momento, são realizados exames, com foco nos de imagem, para que haja um reconhecimento da situação. A partir disso, cabe ao profissional identificar os pontos de atenção e planejar a melhor conduta cirúrgica para o caso.

O Cirurgião Traumatologista, como é chamado quem se especializa na área, deve realizar os procedimentos com os recursos disponíveis, sempre monitorando sinais vitais e reações do paciente. O objetivo é concluir a operação de maneira bem-sucedida, para que o paciente possa se recuperar.

Para completar, o médico também pode ajudar no desenvolvimento de programas para a prevenção de traumas, como acidentes domésticos ou no trânsito.

Como é o mercado de trabalho?

Os traumas podem acontecer em diferentes partes do corpo, por motivos variados e com distintos graus de intensidade e de gravidade. Portanto, abrem muitas possibilidades para quem atua na área — e também aumentam a demanda por profissionais especializados.

Então, é possível dizer que o mercado de trabalho da Cirurgia de Trauma é aquecido e está sempre em busca de novos profissionais. Considerando que é uma subespecialidade relativamente recente, ainda há poucos profissionais com o título, o que ajuda a ampliar a demanda por quem se especializa.

Outra questão importante é que você pode trabalhar tanto no setor público quanto no segmento privado. Como servidor, é possível atuar pelo Sistema Único de Saúde (SUS) tanto em hospitais de referência quanto em locais mais afastados e com carência de cirurgiões traumatologistas.

No setor privado, é possível trabalhar em clínicas e hospitais particulares, incluindo instituições de grande prestígio. Sendo assim, há muitas oportunidades para quem pretende trabalhar na área.

Qual é a faixa de remuneração?

Em termos de remuneração, podemos usar como base o levantamento realizado pelo site Salario.com.br. A pesquisa considera os ganhos do Cirurgião Traumatologista com base em quase 400 salários obtidos.

Segundo a pesquisa, o ganho médio é de R$ 6,3 mil mensais, com carga horária média de 21 horas semanais. No entanto, a faixa é mais ampla, já que o piso fica em R$ 5,8 mil, enquanto o teto salarial pode atingir R$ 15,4 mil.

Também há diferenças dependendo do local de atuação. Veja alguns ganhos, de acordo com a unidade federativa:

●     São Paulo: R$ 6,5 mil (16 horas semanais);

●     Rio de Janeiro: R$ 4 mil (18 horas semanais);

●     Ceará: R$ 8,9 mil (22 horas semanais);

●     Distrito Federal: R$ 20,1 mil (32 horas semanais).

Os ganhos também variam com o tamanho da instituição e o nível de qualificação. Um profissional iniciante pode começar ganhando R$ 5,5 mil em uma instituição pequena e alcançar de R$ 8,5 mil a R$ 12,4 mil, conforme for mais experiente, em hospitais de médio e de grande porte. 

Vale considerar, ainda, que o profissional pode ter direito a adicionais noturnos, de insalubridade e de periculosidade, no caso de contratação via CLT.

Dependendo do tipo de jornada e das características, os adicionais podem representar de R$ 629 a R$ 2,5 mil a mais no salário.

Onde você pode atuar?

Ao se tornar um Cirurgião Traumatologista, você saberá um pouco de tudo sobre a subespecialidade. Afinal, não há como prever o tipo de trauma que você vai precisar atender em uma situação de emergência.

No entanto, há diversas áreas em que você pode focar seus esforços e atendimentos. A seguir, veja quais são algumas das áreas mais comuns!

Trauma Encefálico

Os impactos na região do crânio são muito perigosos, já que podem deixar sequelas permanentes e aumentam o risco de morte. Escolhendo esse tema como foco da sua profissão, você vai encarar desde traumatismos cranianos leves a questões mais complexas e que exigem melhor avaliação.

Trauma Cervical

Traumas na coluna cervical podem causar danos como paralisia temporária ou definitiva. Então, ao focar nessa abordagem, você terá a missão de reparar vértebras, descomprimir nervos e buscar a estabilização dessa estrutura tão importante para o corpo humano.

Trauma Torácico

Perfurações e impactos diversos podem causar vários danos na caixa torácica, o que pode comprometer o coração e os pulmões, principalmente. Com esse foco de atuação, seus conhecimentos serão utilizados para realizar reparos e cuidados nas costelas e no tórax de forma completa.

Trauma Abdominal

O abdômen também é repleto de órgãos vitais e, portanto, a Cirurgia de Trauma exige atenção. Órgãos como fígado, estômago, intestino e baço costumam estar no centro das atenções.

Trauma Pélvico Perineal

Já o trauma pélvico perineal envolve tanto os quadris quanto a região íntima, que é igualmente delicada. A especialização do seu trabalho, portanto, pode ajudar pacientes a recuperarem a saúde e a evitar danos permanentes.

Trauma Vascular

Um trauma vascular acontece quando uma artéria ou um grupo de elementos circulatórios é atingido. O trabalho rápido e preciso do cirurgião é determinante para a sobrevivência do paciente e para o seu bem-estar.

Trauma nas Vias Urinárias

Nem todo mundo sabe, mas as vias urinárias também podem sofrer traumas, como o rompimento de bexiga ou impactos na uretra. Se escolher seguir esse caminho, seus conhecimentos serão utilizados para garantir o bom funcionamento do sistema.

Trauma Pediátrico

Crianças sofrem traumas pelos mais diversos motivos, incluindo acidentes domésticos. Como o corpo infantil tem demandas específicas, dar foco nesse segmento pode ajudar os pequenos a se recuperarem.

Trauma em Gestantes

O trauma em uma gestante não coloca em risco apenas a vida da mãe, mas também do feto. Portanto, agir em casos desse tipo exige muita precisão e eficiência para melhorar as chances de sobrevivência de ambos.

Trauma Geriátrico

Acidentes domésticos ou fora de casa estão entre os maiores motivos para quedas de idosos e seus consequentes traumas. Se escolher a ala geriátrica como foco da sua atuação, você vai se deparar com pacientes com mais idade e que exigem uma consideração ainda mais completa de outras condições de saúde.

Politraumatismo

O politraumatizado é aquele paciente vítima de lesões multissistêmicas, ou seja, por conta de um trauma, 2 ou mais sistemas foram acometidos – e pelo menos um tem uma lesão ameaçadora à vida. Situações clássicas do politraumatismo são acidentes de trânsito, por exemplo, e quedas. Então, também é possível atuar na área de politraumatismo, a qual pode exigir ainda mais da sua atuação pela perda de líquidos e pela gravidade do problema.

Programas de prevenção

Existe vida e carreira fora do centro cirúrgico! Além de escolher as áreas do seu interesse, é possível trabalhar com o desenvolvimento, a promoção e a conscientização de programas sobre o trauma. Assim, você pode ajudar mais pessoas a evitarem situações que levem a essas consequências.

Como se especializar na área?

Para atuar com Cirurgia de Trauma é necessário ter uma especialização na área, já que ela passou a ser reconhecida como subespecialidade. Nesse caso, o caminho mais comum e efetivo é a residência médica.

Na maioria dos casos, o programa tem como pré-requisito a conclusão da residência médica em Cirurgia Geral.

Portanto, você precisará passar pelo programa mais geral, concluí-lo e, só então, terá a chance de se especializar em Cirurgia de Trauma.

Por um lado, isso pode diminuir a sua competição, já que não se trata de uma residência de acesso direto. Por outro, é preciso caprichar na sua preparação para a residência, já que há menos vagas.

Além disso, é preciso escolher entre os programas das instituições de ensino, de acordo com suas características e possibilidades. Com o estudo para a prova teórica e para a prova prática em dia, você estará um passo mais próximo dessa carreira.

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JoãoVitor

João Vitor

Capixaba, nascido em 90. Graduado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e com formação em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP) e Administração em Saúde pelo Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Apaixonado por aprender e ensinar.