Classificação de Killip: o que é e como aplicar?

Figura 1 – Imagem ilustrativa de infarto agudo do miocárdio, gerando dano à parede anterior do ventrículo esquerdo.
Figura 1 – Imagem ilustrativa de infarto agudo do miocárdio, gerando dano à parede anterior do ventrículo esquerdo (Créditos: Wikipedia)

E se conseguíssemos avaliar clinicamente um paciente na admissão hospitalar e, conforme a sua apresentação dentro de um contexto de infarto agudo do miocárdio, predisséssemos o seu risco e prognóstico, somente com base nisto, na avaliação clínica inicial?! Eis a classificação de Killip.

Numa era em que não havia tecnologia como hoje em dia, prever risco e ter parâmetro para conversar sobre a gravidade com o paciente e familiares era uma excelente ideia.

Pensando nisso, Killip e Kimball criaram, em 1967, um método de avaliação espetacular, em que se separa o risco de morte em quatro classes, de forma prática e objetiva, sem uso de exames complementares. E o mais incrível desse método é que ele possui mais de 50 anos de validação após sua publicação original.

Vamos conhecer um pouco mais?

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Como surgiu e o que denota a classificação de Killip?

Outubro de 1967. Os médicos Thomas Killip e John Kimball publicam no The American Journal of Cardiology a experiência de dois anos com 250 pacientes tratados por infarto agudo do miocárdio em uma unidade coronariana. A publicação falava de um sistema que, mais tarde, ficou conhecido como classificação Killip, que usamos até hoje no cenário de síndrome coronariana aguda.

Sua implementação prática evoluiu desde então para orientar o gerenciamento e prognóstico, ao mesmo tempo em que serve como uma ferramenta importante para rastrear resultados em pesquisas clínicas. 

Atualmente, está presente em outros escores de risco mais modernos, como o GRACE, usado em síndromes coronarianas – e do qual falamos mais a fundo no nosso post sobre angina instável. Confere lá!

Mas pra ser breve: aprendemos com essa classificação que, em contexto de infarto agudo do miocárdio, quando o paciente se manifesta apenas com estertores bibasais, tem prognóstico pior do que aquele que está com ausculta pulmonar normal. Quando há edema agudo pulmonar, o prognóstico piora acentuadamente.

Mesmo após mais de 50 anos da publicação original e da evolução significativa do tratamento da fase aguda do infarto, quando há choque cardiogênico, o prognóstico e o risco de óbito eleva-se desfavoravelmente.

Quais os critérios da classificação de Killip?

Para fornecer uma estimativa clínica da gravidade do distúrbio miocárdico, eles classificaram os pacientes em uma das quatro categorias:

  1. Killip 1 (81/250 pacientes): sem sinais clínicos de insuficiência cardíaca, com ausculta pulmonar normal – cerca de um terço dos pacientes;
  2. Killip 2 (96/250 pacientes): achados consistentes com insuficiência cardíaca leve a moderada (presença de B3, estertores pulmonares bibasais ou distensão venosa jugular) – cerca de um terço dos pacientes;
  3. Killip 3 (26/250 pacientes): IC grave ou edema pulmonar franco;
  4. Killip 4 (47/250 pacientes): choque cardiogênico, em que há evidência pulmonar e sistêmica de baixo débito cardíaco.
Figura 2 – Título do trabalho original da classificação de Killip. Treatment of myocardial infarction in a coronary care unit. A two-year experience with 250 patients. Am J Cardiol. 1967 Oct;20(4):457-64.
Figura 2 – Título do trabalho original. (Créditos: Treatment of myocardial infarction in a coronary care unit. A two-year experience with 250 patients. Am J Cardiol. 1967 Oct. 20(4):457-64.)

A classificação de Killip no contexto de infarto agudo do miocárdio, como aprendemos, é basicamente a presença ou a ausência de achados de exame físico que sugiram por disfunção de VE e insuficiência cardíaca! Quanto maior a classificação na apresentação, antes mesmo de qualquer terapêutica, maior a mortalidade subsequente ao evento. Fechou?

A taxa de mortalidade foi de até 6%; 17%; 38%; 81%, respectivamente.

Figura 3 – Tabela do artigo original da classificação de Killip, relacionando os eventos desfavoráveis e a taxa de mortalidade hospitalar, com base na classificação de killip. Treatment of myocardial infarction in a coronary care unit. A two-year experience with 250 patients. Am J Cardiol. 1967 Oct;20(4):457-64.
Figura 3 – Tabela do estudo original relacionando os eventos desfavoráveis e a taxa de mortalidade hospitalar, com base na classificação de Killip.

O estudo original certamente não foi perfeito metodologicamente, além de ter sido produzido com apenas 250 indivíduos. Mas apesar das dificuldades da época, ele se mostrou útil e permanece atual, então use e abuse desta ferramenta!

É elegante dominarmos os escores de risco em cardiologia, sobretudo nas emergências cardiológicas, conhecendo bem as variáveis independentes de risco. Esta ferramenta você precisa conhecer!

Por ora, é só!

Esperamos que o post tenha te ajudado a entender melhor a classificação de Killip! Pouco a pouco, você fica cada vez mais preparado pra qualquer situação.

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Mas enfim, é isso! Até mais!

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DhiegoCampostrini

Dhiego Campostrini

Nascido em 1990. Médico graduado em 2014. Formado em Clínica Médica pelo Hospital Santa Marcelina-SP. Atual residente na disciplina de Cardiologia da UNIFESP-EPM. Ex-preceptor, médico concursado do Hospital do Servidor Público Municipal - SP. Apaixonado por aprender e ensinar; fascinado pela Medicina.