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Como é a residência em Cirurgia Geral na Unifesp

A residência em Cirurgia Geral na Unifesp (uma das instituições mais buscadas pra essa especialidade no estado de São Paulotem acesso direto e é oferecida por uma das instituições mais tradicionais do estado, a Escola Paulista de Medicina (EPM). Além do corpo docente experiente, a instituição também conta com hospital próprio – Hospital São Paulo, que é o maior hospital universitário do país e é onde os residentes aplicam seus conhecimentos teóricos e práticos nos mais diversos procedimentos cirúrgicos.

E se você está se preparando para as provas de residência, é bom saber que a residência em Cirurgia Geral na Unifesp, assim como em outras instituições, sofreu algumas mudanças no seu programa curricular que já entraram em vigor em 2019.

O Programa de residência médica em Cirurgia Geral, que antes tinha 2 anos, agora passou a ter 3 anos de duração e ao término, o médico se torna Especialista em Cirurgia Geral, permitindo que o médico cirurgião realize plantões nas emergências de prontos-socorros, atendimentos ambulatoriais e também cirurgias eletivas. Como é um campo de atuação bastante amplo, áreas como Cirurgia do trauma, Cirurgia Abdominal e Cirurgia Videolaparoscópica requisitam bastante esse tipo de profissional.

Aqueles que necessitam do pré-requisito podem optar pela Área Cirúrgica Básica, com duração de 2 anos e que obrigatoriamente exige a submissão a processos seletivos de especialidades após seu cumprimento. Aqui não há titulação de especialista, mas é dado um certificado de aquisição de competências dos procedimentos treinados naquele período. Esse é o caminho que muitos residentes escolhem para concorrer às vagas de programas de residência em outras subespecialidades cirúrgicas, como a Cirurgia Pediátrica, a Cirurgia Torácica e a Cirurgia Plástica – que é, inclusive, uma das especialidades que mais crescem. 

E se o seu desejo é ser residente da Unifesp no ano que vem, fique de olho aqui no blog, pois já contamos – tudo mesmo, direto ao ponto – sobre como é a prova de residência médica da Unifesp! Também fizemos um Guia com os seis assuntos que mais caíram na última prova nos últimos 5 anos.

Por fim, se inscreve lá nosso canal do YouTube pra acompanhar as aulas que vão ao ar toda semana, sobre temas mais importantes que caem nas provas de residência médica em São Paulo

Se a residência em Cirurgia Geral na Unifesp é seu objetivo para o próximo ano, temos outros conteúdos gratuitos que você vai aproveitar bastante na Academia Medway, um deles é o de 20 Questões de Cirurgia que já caíram na prova de residência da Unifesp – todas comentadas! Também fizemos um Guia com os seis assuntos que mais caíram na última prova nos últimos 5 anos.

Mas agora, papo reto, direto ao assunto: quer saber mais sobre a vida e a rotina de estudos de quem faz residência em Cirurgia Geral na Unifesp? Conversamos com o Wagner e com a Natália, ambos R2. Dê uma olhada no bate-papo que tivemos e tire suas dúvidas!

Joana: Vou começar com uma pergunta que a gente sabe que é bastante pessoal, mas todo mundo pergunta. Qual é o melhor estágio da residência em Cirurgia Geral na Unifesp? Por quê?

Natália: Hospital Pedreira – você opera bastante, não tem que ficar mil horas fazendo coisas que não são dos seus pacientes. Basicamente, o sonho do cirurgião: chega, opera e vai embora.

Wagner: Estágios com cirurgias eletivas, quando conseguimos fazer mais procedimentos.

Joana: Há algum médico-assistente que você considere sensacional ou exemplo para sua formação? Por quê? 

Natália: Sim, muitas inspirações! Dr. Martin conversa com todos os pacientes à beira leito e nos ensina o trato com o paciente bem como cobra muito conhecimento! Dr. Edson Lobo, um dos maiores cirurgiões de pâncreas do país, ainda é humilde e vai até hoje na técnica operatória “melhorar” sua técnica, sendo que ela já é perfeita. Dr. Luís Nakano, um dos maiores cirurgiões vasculares do Brasil, vai diariamente para a faculdade e tem o melhor tato com os pacientes que já vi! 

Wagner: Sim. A residência de cirurgia geral é muito puxada e cansativa. Ter alguém em quem se espelhar e admirar ajuda a seguir em frente.

Joana: Conta um pouco pra mim onde vocês rodam ao longo de toda a residência.

Boa parte da residência em Cirurgia Geral na Unifesp acontece no Hospital São Paulo
Boa parte da residência em Cirurgia Geral na Unifesp acontece no Hospital São Paulo

Wagner: No R1, rodamos 45 dias e 45 noites no PS do Hospital São Paulo, que atende um grande público e inclui a sala de emergência com atendimento ao trauma. Outros estágios são das especialidades, como Gastrocirurgia, Cirurgia Vascular, Cirurgia Plástica, Urologia, Cirurgia Pediátrica. Também passamos em estágios de UTI, Anestesiologia e OS de Ginecologia, por menor tempo.

No R2, também passamos 45 dias no Pronto-Socorro do HSP, e outras especialidades como Cirurgia Torácica, Unidade de Tratamento de Queimados, Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Cirurgia Cardíaca, Transplantes. E temos mais contato com cirurgias eletivas, como Colecistectomia Videolaparoscópica.

Joana: Existem estágios eletivos na sua residência? É possível (e comum) fazer um estágio fora do país?

Natália: Sim. Um mês no R2, é possível fazer fora do país. 

Joana: A residência em Cirurgia Geral na Unifesp, de uma forma geral, respeita as 60 horas semanais? E qual a carga máxima de plantão que você dá? 

Natália: Não! No R1, 80 a 90 horas semanais. No R2, às vezes, menos que 60h. Mas, 24h seguidas é o máximo. 

Wagner: Não respeita, não. No R1 da Cirurgia Geral, prepare-se para realmente ter o hospital como sua residência. Serão várias noites dormindo menos de 4 horas, algumas refeições puladas, entrar no hospital de madrugada e sair tarde da noite. No R2, os estágios costumam ser mais tranquilos, mas muitas vezes saímos tarde também e passam as 60 horas semanais.

Joana: Se existir algum período de descanso pré ou pós-plantão, explica pra gente como é isso.

Natália: Não existe pós-plantão ou pré-plantão. Existe um estágio horizontal de plantões noturnos. Então, você trabalha toda a noite e descansa todo o dia pra voltar no dia seguinte.

Wagner: Não temos pré nem pós-plantão. No R1, além dos estágios normais ao longo da semana, geralmente quando estamos em estágios tranquilos com fins de semana livres, temos que fazer os plantões extras de fim de semana no PS do Hospital São Paulo. São plantões cansativos, corridos e que não dá para dormir, mesmo nos plantões noturnos. A demanda do PS é alta e sempre tem cirurgias indicadas, o que reduz o número da equipe no atendimento e acaba sobrecarregando o plantão. Plantões fora da residência no R1 são praticamente impossíveis: quando você tem um horário livre, você vai querer descansar, com certeza. No R2 a carga horária acaba sendo mais tranquila, mas o R1 realmente é um ano muito puxado e que muitos desistem. No meu ano, tiveram dois desistentes, por exemplo.

Joana: De 0 (nada) a 10 (demais), o quanto a residência em Cirurgia Geral na Unifesp foca em parte teórica?

Natália: 10

Wagner: 3

Joana: Aproveitando o embalo: de 0 (nada) a 10 (demais), o quanto sua residência foca em parte acadêmica?

Natália: 10

Wagner: 4

Joana: E me conta! Quais as principais atividades teóricas que vocês têm?

Natália: Em todas as subespecialidades tem reunião clínica de 1 a 4 vezes por semana. Nos estágios de OS passamos visita acadêmica todos os dias com o chefe do PS. Apenas nos estágios de hospital secundário as visitas são mais burocráticas e direcionadas.

Joana: Quais os pontos fortes da residência em Cirurgia Geral na Unifesp?

Natália: Boa base teórica, opera bastante (mais que em grandes hospitais escola e menos que em hospitais municipais ou estaduais pelo servidor), te coloca no mercado de trabalho.

Wagner: O serviço é bem completo e temos acesso a todas as especialidades. Conseguimos ter uma boa amostra para escolher a especialidade. Além disso, costumamos ter uma boa consolidação no mercado de trabalho, conseguindo plantões em serviços que passamos como residentes após o término da residência.

Joana: E tem algum ponto que você acha que poderia melhorar?

Natália: O Hospital São Paulo, nosso hospital escola, está em crise. Os estágios que rodamos lá ficam um pouco defasados em volume cirúrgico. Mas ainda temos muitos pacientes e muitos docentes que valem a pena.

Wagner: A carga horária.

Joana: E me diz: dá pra conciliar a residência com plantões externos? A maioria faz isso?

Natália: Sim. Eu dei plantões externos todos os domingos no meu R1 e continuo trabalhando no R2. A maioria não dá plantões fora no R1 e dá no R2. Eu trabalhei muito porque precisava mesmo! Mas seria muito melhor se eu pudesse ficar em casa.

Wagner: No R1 é praticamente impossível. No R2 é mais maleável, mas no meu caso prefiro estudar para a prova de especialidade do que pegar plantões externos.

Joana: A sua residência disponibiliza quais “comodidades” para os residentes?

Natália: Há um restaurante no hospital gratuito no almoço e jantar; existe processo seletivo para a moradia (basicamente eles analisam sua renda e se você mora longe mesmo) e fica a uma quadra do hospital. Existe a Atlética da faculdade que conta com academia, piscina, entre outros que basta ser sócio para usar de todas as estruturas. O único problema é que rodamos bastante em hospitais secundários longe do campus. Dá para ir de transporte público, mas é bem demorado e trabalhoso. Nesse contexto, ter um carro ajuda muito ou um amigo para dar carona.

Wagner: Temos alimentações gratuitas nos restaurantes dos hospitais que trabalhamos. Não sei opinar sobre processo de seleção para moradia, mas ela existe.

Joana: Vocês são do estado de São Paulo, mas, conhecem alguém que voltou ou pretende voltar para a cidade de origem? Acham que é possível se inserir bem no mercado?

Natália: Sim, é possível se inserir bem.

Wagner: Sim. Várias pessoas são de fora do Estado de São Paulo e pretendem voltar para a cidade de origem. Inclusive eu sou do interior de São Paulo e pretendo voltar para lá.

Joana: Última pergunta. Tem mais alguma coisa que você queira falar sobre a sua residência que a gente não perguntou?

Natália: Acredito que a residência em Cirurgia Geral na Unifesp é uma das melhores residências do país com acesso às subespecialidades. É puxado, mas muito gratificante!

Gostou de saber mais sobre como é fazer residência na Unifesp?

E aí? Curtiu? Já está pronto para a residência em Cirurgia Geral na Unifesp? Então, já sabe que vai ter que se dedicar bastante, treinar exaustivamente sua destreza manual e dispensar muitas horas aos estudos e aos plantões. 

E fique ligado na hora de optar: se o que você quer é se tornar um cirurgião geral, inscreva-se no Programa de Cirurgia Geral, com duração de três anos. Mas, se o que você quer é especializar-se em outras áreas da cirurgia que necessitam de pré-requisito, a Área Cirúrgica Básica, com 2 anos de duração é para você! Aliás, para saber quanto ganha um cirurgião geral e qual o salário das subespecialidades cirúrgicas, confira este artigo

Apenas lembrando que a prova de residência médica da Unifesp tem um componente especial, que é a prova multimídia! Sabemos que a maioria não consegue se preparar adequadamente para esse tipo de prova e, por isso, vamos mostrar o segredo por trás dessa etapa no nosso Minicurso de Prova Multimídia. Vão ser três aulas 100% online e 100% gratuitas em que você vai aprender como transformar a prova de multimídia no seu maior diferencial, então não deixe de se inscrever hein?

Ah, e se você quer saber ainda mais sobre o assunto, é bom dar uma olhada no podcast Finalmente Residente. Nele, recebemos convidados que falam sobre suas vivências nas mais variadas residências e instituições do país! O mais interessante nisso tudo é que você pode ouvir a voz da experiência e conhecer os principais aspectos dessa etapa por meio de quem vive (ou viveu) com afinco a vida de residente. O Daniel Haber, por exemplo, contou um pouco pra gente sobre a residência em Cirurgia Geral na Unifesp. Ele é fera, então, corre lá pra conferir!

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Joana Rezende

Carioca da gema, nasceu em 93 e formou-se Pediatra pela UFRJ em 2019. No mesmo ano, prestou novo concurso de Residência Médica e foi aprovada em Neurologia no HCFMUSP, porém, não ingressou. Acredita firmemente que a vida não tem só um caminho certo e, por isso, desde então trabalha com suas duas grandes paixões: o ensino e a medicina.