Como é a residência em Pediatria na USP-RP

Quer estudar numa das melhores universidades públicas do país, numa cidade charmosa e ensolarada no interior de São Paulo e, ainda por cima, entrar na residência médica dos seus sonhos? Então, acompanha aqui com a gente, que o assunto hoje é a residência em Pediatria na USP-RP! 

Tradicionalmente associada à dedicação amorosa ao lidar com crianças, a residência em Pediatria é uma das mais disputadas no Brasil: só pra você ter uma ideia, ela é a segunda residência de acesso direto mais escolhida entre os candidatos, ficando atrás apenas de Clínica Médica! Mas não se engane, nem só de amor vive esse especialista: tratar de crianças e atender suas famílias pode ser um desafio e tanto!

Pra isso, algumas habilidades específicas são requeridas, como mandar bem na anamnese, já que os pequenos não sabem relatar com clareza o que sentem — às vezes são bebês e aí não tem jeito! Em alguns casos, lidar com a dor ou com a insistência da família vai demandar firmeza e sensibilidade nas ações. 

Antes de mais nada, deixa eu te falar uma coisa: a USP (Universidade de São Paulo), no campus de Ribeirão Preto, fica apenas a 320 km da capital e, há mais de 68 anos, a FMRP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto) recebe alunos da graduação, pós-graduação e residência médica que estudam e realizam seus estágios no gigantesco complexo hospitalar.

E veja só: o HCFMRP-USP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo) foi criado na década de 50 e desde então é referência para mais de 90 municípios do interior do estado de São Paulo, atendendo, nos níveis de atenção primário, secundário e terciário, em média, uma população de 4 milhões de pessoas.

As unidades de atenção primária que integram o complexo do HCFMRP contam com 10 núcleos de saúde da família, o Centro Médico de Cássia dos Coqueiros e o Centro Médico de Vila Lobato, além da gerência do Hospital de Serrana.

No nível secundário temos o complexo hospitalar da USP de Ribeirão Preto com três unidades gerenciadas pela Faepa sob o regime de organizações sociais: Hospital Estadual de Ribeirão Preto (HERP), Hospital Américo Brasiliense, Mater — referência em saúde da mulher, Hemocentro, Centro de Saúde Escola na rua Cuiabá e centros de reabilitação do HERP.

E em nível de Atenção Terciária, que envolve procedimentos que demandam tecnologia de ponta e custos maiores, como os oncológicos, transplantes, partos de alto risco e outros procedimentos de alta complexidade, estão o Hospital das Clínicas unidade campus, que conta com 674 leitos — é o maior hospital público do interior do Estado de São Paulo — e a Unidade de Emergência (UE), que atende as urgências e emergências da região dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). 

Pra contar como é viver e estudar na USP de Ribeirão, a gente trouxe a Ana Luiza, que é R2 na residência em Pediatria na USP-RP e vai contar pra gente como são os estágios e quais são as suas impressões sobre o curso. Confere aí! 

Imagem ilustrativa da fachada da USP-RP

Joana: Vou começar com uma pergunta que a gente sabe que é bastante pessoal, mas todo mundo pergunta: qual o melhor estágio da residência em Pediatria na USP-RP e por quê?

Ana Luiza: Na minha opinião, o estágio na unidade de emergência. O PA daqui não é porta aberta, porém tem um grande movimento e recebe gente de toda a região. Nele, damos os primeiros atendimentos pras mais diversas patologias e nos plantões temos grande autonomia (principalmente no R2), é um estágio que ensina muito e também fornece muita segurança pra trabalhar fora.

Joana: Tem algum médico assistente que você considera sensacional ou exemplo para sua formação? Por quê?

Ana Luiza: Alguns! Mas não vou citar nomes. Acho que são os que combinam uma vontade de passar o conhecimento e buscar sempre o melhor pro paciente.

Joana: Conta um pouco sobre onde vocês rodam ao longo de toda a residência em Pediatria na USP-RP.

Ana Luiza: Rodamos em todas as especialidades e cenários. De especialidades, temos enfermaria e ambulatórios de: Reumatologia, Endocrinologia, Imunologia, Pneumologia, Oncocolgia/Hematologia, Nefrologia, Gastrologia, Cardiologia e Neurologia. O estágio na Neonatal é de 9 meses ao todo e também contempla todos os cenários (alojamento, sala de parto, CTI e unidade de cuidados intermediários).

No CTI, rodamos no da unidade de emergência e no do hospital terciário, o que nos dá diferentes vivências. Também contamos com estágio na Puericultura, estágio opcional e a ideia é que, no R3, a gente rode também em especialidades como Otorrino, Genética, Ortopedia e Cirurgia. 

Joana: Existem estágios eletivos na sua residência? É possível (e comum) fazer um estágio fora do país?

Ana Luiza: Sim! No R3 nossos professores têm bons contatos e relacionamentos, no R4 de algumas subespecialidades também sei que é possível.

Joana: Sua residência médica, de uma forma geral, respeita as 60 horas semanais? Conta pra gente qual é a carga máxima de plantão que você dá e se tem algum período de descanso pré ou pós-plantão.

Ana Luiza: Não respeita não. Em média, a carga é de 70 a 80 horas, mas varia muito do estágio em que estamos passando. A carga máxima de plantão consecutivo… acho que são 30 a 36 horas. Temos pós-plantão, teoricamente, em todos os estágios, no período da tarde. Pré-plantão não existe.

Joana: Quais são os pontos fortes da residência em Pediatria na USP-RP?

Ana Luiza: O principal foco é realmente a parte prática. Ao contrário do que eu imaginava pra USP, a parte acadêmica não é o foco maior, as atividades dos alunos são um pouco distantes das nossas. Mas temos os mais diferentes estágios de prática e acredito que saímos aptos. Com o R3 (meu grupo é o primeiro a ter 3 anos) a confecção do TCC está mais organizada, visando mais incentivo à parte acadêmica. A proposta de mestrado profissional durante a residência também nos é oferecida e incentivada.

Joana: E tem algum ponto que você acha que poderia melhorar?

Ana Luiza: Claro, alguns! Acho que respeitar a carga horária mais atividades teóricas são pontos importantes. Além disso, acredito que nosso estágio na Neo é desproporcional, são 9 meses no total. A experiência na Puericultura também é limitada e acredito que quem busca exercer essa atividade não sai tão bem preparado.

Joana: Acha que dá para conciliar a residência em Pediatria na USP-RP com plantões externos? A maioria faz isso?

Ana Luiza: Dá, com certeza, e a grande maioria faz isso. Existem estágios mais fáceis e outros que ficam mais apertados, mas a maioria consegue e os chefes não se mostram contrários. A gente acaba se ajudando e dá pra todo mundo dar seus plantões.

Joana: Quais “comodidades” a sua residência disponibiliza?

Ana Luiza: A alimentação (café, almoço e jantar) tem nos refeitórios, então é gratuito. Sobre a moradia eu infelizmente não sei informar, não conheço ninguém que a utilize.

Joana: Você não é natural de São Paulo, né? Pretende voltar pra sua cidade? Conhece alguém que voltou ou pretende voltar para a cidade de origem? Acha que é possível se inserir bem no mercado?

Ana Luiza: Eu não sou do estado de São Paulo e pretendo voltar pra minha cidade sim! Acho que é possível sim, que é um diferencial, o nome da USP ainda carrega consigo grande notoriedade e, pelo que escuto, muitos saem já bem inseridos após a residência.

Joana: Tem mais alguma coisa que você queira falar sobre a sua residência que a gente não perguntou?

Ana Luiza: Olha, o ambiente é muito bom! Não existe grande relação de hierarquia e os residentes entre si se ajudam muito, do R1 ao R5.

Gostou de saber mais sobre como é fazer residência em Pediatria na USP-RP?

Como você pôde ver pelas coisas que a Ana Luiza nos contou, a residência em Pediatria na USP-RP é marcada por estágios em muitas áreas e isso oferece uma experiência bastante ampla.

Gostou de saber mais, mas ainda não tem certeza se é na USP-RP que você quer fazer a sua residência médica? Então relaxa e vem aqui no blog saber mais sobre outros programas de Pediatria e confira quais são as instituições mais buscadas pra fazer residência em Pediatria em São Paulo!

E fica ligado, pois estamos sempre trazendo entrevistas sobre como é a residência médica nas principais instituições de São Paulo! Se tiver alguma coisa que você queria saber mais, fala pra gente aqui nos comentários! Pode ser um dos nossos próximos artigos! Aproveita e dá uma olhada nesse outro artigo que já fizemos sobre como é fazer residência médica em Pediatria na Unifesp!

Agora, como está sua preparação pras provas de residência da USP? Para saber mais como é a prova de residência para o maior sistema acadêmico de saúde da América Latina, confere aqui.

E se você já quer começar a estudar, saiba que você pode dar os primeiros passos nessa jornada no Extensivo São Paulo, nosso curso que rola ao longo do ano inteiro com videoaulas sobre os temas que você precisa saber e um app com milhares de questões comentadas. Além disso, ao se matricular você ganha o Intensivo como bônus! Corre que ainda dá tempo de se inscrever.

Bora pra cima! 

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Joana Rezende

Carioca da gema, nasceu em 93 e formou-se Pediatra pela UFRJ em 2019. No mesmo ano, prestou novo concurso de Residência Médica e foi aprovada em Neurologia no HCFMUSP, porém, não ingressou. Acredita firmemente que a vida não tem só um caminho certo e, por isso, desde então trabalha com suas duas grandes paixões: o ensino e a medicina.