Entrevista residência USP-SP: como é essa etapa do processo seletivo

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Fazer especialização na Universidade de São Paulo é o sonho de muitas pessoas. Porém, essa jornada é repleta de desafios na primeira e na segunda fase, que possui a temida entrevista residência USP-SP. 

Apesar do nosso blog dar inúmeras dicas para mandar bem na entrevista, cada instituição tem particularidades, e as especialidades abordam essa etapa de uma forma diferente. Para uma preparação direcionada, vamos detalhar a entrevista de residência da USP, que corresponde a 10% na nota final, junto da análise curricular.

Clínica Médica

De acordo com Ana e Gabriel, residentes do segundo ano na instituição, o formato da entrevista de residência da USP é diferente do tradicional. Em Clínica Médica, há uma avaliação do currículo, em que uma breve apresentação é feita. Depois, os candidatos passam por simulações de cenários clínicos, nas quais conflitos éticos são apresentados. 

Ana menciona alguns exemplos, como “emprestar a senha para o colega, querer mandar em uma assistente negra, achando que ela é técnica de enfermagem, liberar o colega em um plantão tranquilo, assumir a função da enfermeira quando ela não fez o que você pediu, fazer receita no nome de paciente para o funcionário pegar a medicação”, entre outros. 

Gabriel destaca que, nessas situações, é esperado que o candidato demonstre conhecimento sobre o Código de Ética Médica e saiba reagir a cenários desafiadores. Apesar da tensão da prova, ele disse que o ambiente procurava ser o mais leve possível, tentando atenuar ao máximo o estresse dos candidatos. 

Caso você esteja preocupado por seu currículo não ter muitas páginas, fique tranquilo! Segundo o residente, o edital de residência médica da USP divide a pontuação de forma equilibrada entre o currículo e a entrevista. 

Cirurgia Geral

Para Matheus, R2 de Cirurgia Geral, a entrevista de residência médica foi descontraída, como se fosse uma conversa leve com três entrevistadores. No entanto, para Bruna, também residente do segundo ano, o clima foi mais formal. 

“Pediram para eu me apresentar e começaram as perguntas. Foi tudo bem formal e sério. Logo que as perguntas acabaram, avisaram que a entrevista havia acabado e pediram para eu aguardar fora da sala”, conta.

As perguntas da entrevista de residência médica abrangem temas como o currículo, o internato, os trabalhos realizados e a razão de ter escolhido essa residência. Os avaliadores reforçam o grau de dificuldade da especialidade, que, diferente da anterior, possui um peso maior no currículo, mas ainda exige um bom comportamento nessa fase para uma boa impressão. 

Pediatria

Os temas desta entrevista de residência da USP não fogem muito do comum: experiências vividas ao longo da graduação, dos estágios e da iniciação científica. Tudo deve ser respondido em um período máximo entre 10 e 15 minutos.

De acordo com Milly, residente em Pediatria, a maior parte da pontuação dessa etapa vem do currículo, mas isso não é sinônimo de clima pesado para os candidatos. É algo positivo, considerando que seis assistentes da área fazem parte da banca entrevistadora, todos com os quais os residentes têm bastante contato ao longo da especialização. 

Juliana, também estudante da área, relata que há um certo grau de formalidade, visto que os entrevistadores ficam sentados em uma mesa grande, e o entrevistado se senta em uma cadeira em frente. Ainda assim, ela ressalta que “o clima não foi pesado. Todos foram simpáticos e amigáveis”. 

Ginecologia e Obstetrícia

A entrevista de residência médica na USP para quem tenta uma vaga em Ginecologia e Obstetrícia é bem parecida com a de Pediatria. No caso de GO, o currículo também tem destaque, embora a arguição conte bastante. 

Segundo Mariana, R2 da especialidade, os temas são abrangentes, passando por projetos de iniciação científica, trabalho voluntário, estímulo a atividades científicas na faculdade anterior, experiências do internato e decisão da área. 

“É comum perguntarem sobre o que o candidato acha da carga horária de 60 horas e do estímulo à produção científica durante a residência”, acrescenta. Marcela, R3 da área, diz que tudo é feito de maneira profissional, mas descontraída. 

Em outros relatos, os candidatos revelam que já foram questionados sobre o último livro lido e a opinião sobre a obra. Perguntas assim podem surpreender, mas é bom reforçar: a calma e a confiança são o básico em qualquer entrevista de residência médica

Ortopedia

Alguns dizem que a entrevista de residência médica da USP para Ortopedia lembra até uma entrevista de emprego! Diferentemente de várias especialidades citadas, ela não foca no currículo, mas na postura e na desenvoltura do candidato.

O tom da entrevista não chega a seguir uma regra. Algumas podem até ser mais informais e descontraídas, enquanto outras, tensas e intimidadoras. Mais do que nunca, é bom confiar no seu taco! 

Afinal, como conta Vinicius, R3 dessa área, as perguntas são majoritariamente sobre o candidato: “quem é você, pontos positivos e negativos que você tem, por que deveriam te escolher, por que você escolheu a residência em Ortopedia, se tem familiares médicos, etc”.

Radiologia

Segundo Thiago e Paulo, em Radiologia, os questionamentos são semelhantes, passando por: formação, escolha da especialidade, preparação para as provas, qualificações do currículo e motivo de merecer a vaga. 

Ambos residentes contam que o currículo não faz tanta diferença nessa etapa do processo seletivo, mas pode ser um critério de desempate — lembrando que essas são apenas impressões de quem passou pela aprovação.

Anestesiologia

Na entrevista para Anestesiologia, o enfoque é maior no currículo, de acordo com o relato de Gustavo, que terminou a residência há pouco tempo. “Cerca de 70% da nota da 3ª fase vem desse componente”, afirma. 

João, que é R2, relata que o clima da entrevista é mais leve do que o de muitas outras especialidades. Ela leva, no máximo, 15 minutos, com perguntas sobre experiências prévias, motivos de escolha da especialidade e expectativas em caso de aprovação. 

Infectologia

Segundo os relatos de Bárbara e Matheus, residentes de Infectologia na USP-SP, o tom da entrevista pode mudar um pouco a cada ano. As questões também variam bastante entre temas tradicionais da carreira médica e assuntos pessoais, como hobbies, defeitos, qualidades e hábitos de leitura. 

Apesar de ser uma etapa que “foca bastante no checklist do edital e no currículo”, de acordo com os entrevistados, a entrevista também tem o próprio peso. Portanto, mantenha a calma e se concentre em responder às perguntas com naturalidade.

Neurologia

A entrevista de Neurologia não é padronizada e costuma ser mais “personalizada”, principalmente, devido a uma “pré-entrevista”, realizada no site, por meio do encaminhamento do currículo-base da arguição.

No dia da entrevista, a residente Sara conta que é necessário levar o currículo impresso. As perguntas são sobre projetos realizados na graduação e experiências desse período, como intercâmbios e estágios. 

José, também estudante da área, diz que há questionamentos sobre a opinião do candidato em diversos pontos: “o que você achou da graduação, o que acha deficiente na sua formação como médico, o que você espera de uma boa residência em Neurologia e o que você poderia agregar na especialização”, exemplifica.

Dermatologia

Essa entrevista de residência da USP também pode ter um clima diferente para cada candidato. Para Ésio e Ricardo, residentes de anos diferentes, o ambiente estava ameno, descontraído e, em alguns momentos, mais sério. No entanto, a seriedade não afetou a etapa. 

Os dois afirmam que as perguntas são bem tradicionais, como motivo de ter escolhido a instituição, se houve publicação de trabalhos e iniciações científicas. De incomum, Ésio destaca um questionário feito antes da entrevista, no qual, em 2018, foi perguntado sobre o posicionamento caso ocorresse uma greve de residentes.

Otorrinolaringologia

Segundo Pedro, R3 em Otorrinolaringologia, a entrevista segue o modelo tradicional. Algumas perguntas comuns são: por que escolheu a área, o que pretende fazer no futuro como Otorrino, como foi sua produção científica na graduação, etc. 

Ele também afirma que o ambiente costuma ser mais sério, e tudo é tratado de forma bastante objetiva. Isso não significa que a entrevista é só uma formalidade do processo. Assim como o curriculum para residência médica, ela tem um peso importante na nota.

Oftalmologia

Em termos de rapidez, a entrevista para Oftalmologia na USP pode ser uma das campeãs. Segundo dois residentes entrevistados, geralmente, são três perguntas, que podem ser: por que escolheu a Oftalmologia, descreva o seu estudo científico, diga algo não relacionado à Medicina que você considera interessante sobre si próprio, qual é o seu ponto forte e onde você se vê em 10 anos.

O residente Pedro conta que o ambiente era bastante sério, com diversos assistentes presentes, sentados ao longo de uma mesa comprida. Ele ficou em uma extremidade, enquanto o titular se sentou no outro lado.

Medicina de Emergência

Segundo Bruno, a entrevista para Medicina de Emergência na USP é mais tranquila e descontraída. “Ela é rápida, geralmente, usada como critério de desempate”, diz o residente. Apesar dessa impressão, a universidade não confirma tal informação, o que mantém a relevância da entrevista no processo seletivo.

Ele conta que algumas perguntas são sobre o hospital-escola da instituição de formação, o motivo da escolha da residência e as expectativas profissionais para os próximos anos. Fora isso, há algumas questões a respeito da vida pessoal, como cidade de onde veio e atividades que gosta de fazer no tempo livre.

Cirurgia Cardiovascular

Por fim, mas não menos importante: a entrevista de residência da USP para Cirurgia Cardiovascular! A boa notícia é que as perguntas não são nada de outro mundo. De forma geral, são questionados os conhecimentos sobre a especialidade e os pontos do currículo, de forma similar às demais entrevistas.

A parte negativa é que, segundo Polyanna, residente de Cirurgia Cardiovascular, o clima “tende a ser um pouco mais tenso”. Então, mantenha a calma e a confiança para não prejudicar seu rendimento nessa etapa!

Prepare-se para a segunda etapa com a gente!

Com tamanha importância no processo seletivo, a entrevista de residência da USP não pode ficar de fora do seu planejamento. Mais que estudar para a prova teórica e prática, dedique um tempo para se preparar para esse momento.

Além de ser um curso de preparação para a prova prática, o CRMedway conta com aulas para entrevista. São mais de seis horas com dicas para mandar bem nessa etapa. Inscreva-se e aumente as chances de ser aprovado na sua instituição dos sonhos!

Ana KarolineBittencourt Alves

Ana Karoline Bittencourt Alves

Catarinense nascida em 1995, criada em Imbituba e apaixonada por uma praia. Formada pela Universidade Federal de Santa Catarina em 2018, com residência em Clínica Médica pela Universidade de São Paulo (USP-SP 2019-2021) e professora de Clínica na Medway. "Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender" - Paulo Freire. Siga no Instagram: @anakabittencourt