O que é Medicina Preventiva: saiba tudo sobre essa especialidade

O que é Medicina Preventiva? Essa é a primeira coisa que você precisa saber antes de tomar sua decisão sobre essa ou qualquer outra especialidade. E nossa missão aqui é não deixar o caminho aberto para dúvidas e trazer o melhor conteúdo sobre essa residência. Para isso, a gente contou a ajuda pra lá de especial da Dra. Marina Pereira, especialista em Medicina Preventiva e Social pela Unicamp, que concluiu sua residência agora, em 2021. Vem com a gente se aventurar por essa área da medicina! 

O que é Medicina Preventiva e o que faz o médico sanitarista?

Imagem ilustrativa sobre o que é Medicina Preventiva.
Saiba tudo sobre o que é Medicina Preventiva

Diferentemente de outras especialidades, o médico sanitarista não vai atender diretamente pacientes, mas vai elaborar informes e boletins internos e externos, coletar dados, planejar, monitorar, editar, redigir, condensar e avaliar atividades de ouvidoria de educação popular e comunicação em saúde, de promoção da saúde e de informação em saúde, conforme o planejamento da organização. 

A dra. Marina ainda completa: “os médicos sanitaristas são especialistas em Saúde Coletiva. Então, para entender o que é Medicina Preventiva, é importante saber que trabalhamos com as três grandes áreas da Coletiva, que são: política, planejamento e gestão em saúde; ciências sociais em saúde; e epidemiologia.”

Quais são as características fundamentais de um médico sanitarista?

É claro que você quer entender mais sobre o que é Medicina Preventiva, né? Além da pesada rotina de estudos teóricos, leis, e políticas públicas, tem mais alguma coisa que você precisa saber? Essa é a pergunta que não quer calar e a Dra. Marina respondeu assim: 

“As características fundamentais que um médico deve ter ou desenvolver para seguir essa especialidade é, antes de tudo, ser atencioso. Tem que ser proativo e bom de escuta. Proativo porque temos que ter a habilidade de nos inserirmos nos campos. Bom de escuta para poder compreender bem o funcionamento das coisas. Ser organizado e bom de fazer planilha de Excel também ajuda.”

E com essa resposta, a gente ficou curioso em saber o que levou a Dra. Marina a escolher essa especialidade. Será que ela enxergou em si essas características ou isso tudo foi treinado e aprendido ao longo da residência? Ela sempre quis essa residência? A Dra. contou tudo! Quem sabe você não se identifica. Então, senta que lá vem história! E das boas! 

“Eu me formei em São Luís, na Universidade Federal do Maranhão. Apesar de adorar o clima da universidade, os amigos que criei e considerar que é uma universidade excelente, eu nunca gostei muito da faculdade de Medicina. Não me identificava muito com nada, detestava estudar as doenças. Mas acabei passando pelo curso um pouco na inércia.

Eu já tinha um contato com a Saúde Coletiva porque participei de um grupo de pesquisa na faculdade (do qual ainda faço parte, inclusive). Mas eu não sabia que existia a Residência em Medicina Preventiva e Social. Me formei em 2016 e fiquei um tempo perdida. Nesse momento, fiz prova para Pediatria e não passei. No segundo ano, já estava inscrita em Ped para a maioria das provas, quando descobri a residência de Preventiva por acaso em uma aula do cursinho. Foi muita sorte, a professora mencionou e eu fui atrás. Acabei conseguindo me inscrever apenas para a Preventiva do Sírio, que não passei, mas passei para Pediatria no SUS Bahia

Fui pra lá. Me mudei de mala e tudo e no meu segundo dia de residência, em um momento epifânico, desisti. Foi aí que entendi que o que eu queria mesmo era a Preventiva. Voltei para São Luís, fiquei mais um ano estudando e finalmente entrei na residência que eu queria!

Respondendo a pergunta mais diretamente, eu escolhi a Preventiva porque eu amo tudo que envolve Saúde Coletiva. Sendo uma pessoa que passou a faculdade de Medicina inteira na indiferença, fico muito feliz em dizer que achei uma especialidade pela qual eu sou realmente apaixonada. Acho que o que me fez optar por essa área foi eu sempre gostar muito de entender como funcionavam as coisas. Sempre fui muito curiosa e resolutiva, que são características muito boas para um sanitarista na minha opinião.”

Como é a rotina e o mercado de trabalho do especialista em Medicina Preventiva?

Para saber o que é Medicina Preventiva é necessário saber, então, como o médico sanitarista atua. Ele é o profissional capacitado para coletar e analisar dados, a fim de planejar e programar as ações que serão executadas. Tais ações podem ser: realizar estudos sobre o desenvolvimento organizacional e operacional; propor métodos gerais de organização de instituições públicas e privadas; analisar, pesquisar ou coordenar a realização de estudos; levantar dados; elaborar propostas, projetos e programas de Saúde Coletiva; planejar e analisar políticas públicas e ações na área da saúde e da educação permanente em saúde; além de realizar diagnósticos e vistorias na área de Saúde Coletiva e Saúde Pública, que vão ser responsáveis por mudar os paradigmas no país. 

A formação do sanitarista permite atuações de natureza interdisciplinar, levando em conta o planejamento e a execução de sistemas por meio da colaboração com os núcleos de Epidemiologia, Ciências Sociais em Saúde, Políticas Públicas, Planejamento, Gestão e Avaliação em Saúde, Promoção e Educação em Saúde, Vigilância em Saúde, Saúde Ambiental, Saúde da Família, Saúde do Trabalhador e Saúde Mental. 

Sobre isso, a Dra. Marina também pontuou e deu dicas preciosas pra quem vai iniciar essa jornada rumo a Medicina Preventiva. Olha só! 

“O médico sanitarista tem um mundo de possibilidades. Podemos trabalhar dando consultoria para prefeituras, podemos trabalhar em secretarias de saúde, nas vigilâncias, em cargos de gestão, na implantação de programas e serviços, na formulação de políticas de saúde, no Ministério da Saúde. 

Realmente é muito amplo. Somos especialistas em Saúde Coletiva, então pensem que podemos trabalhar em tudo que envolve essa grande área. Ou seja, saímos realmente um pouco perdidos da residência, pois não existe um caminho muito linear.”

E claro, depois de adquirir experiência, a gente sabe que há muitos caminhos possíveis que um médico sanitarista pode seguir para alavancar a carreira

A Dra. Marina acha que a diferença é que depois que se adquire experiência, o profissional já se direcionou para uma área mais específica da Coletiva. Já achou o que ele quer realmente fazer.”

Quanto ganha um médico sanitarista?

Mas, e no dia a dia, como é de verdade? Além de entender o que é Medicina Preventiva, nesse artigo você descobrirá o que esperar do mundo lá fora depois da residência. Dá pra ganhar bem

Claro que vamos trazer todas as informações a respeito do assunto para responder a essas perguntas. Por isso questionamos a Dra. Marina sobre o que todo mundo quer saber: qual é a expectativa salarial da sua área para um médico recém-formado? E para um profissional já estabelecido? Confere aí!  

“Essa é uma pergunta impossível de responder. Porque varia demais. Vocês já devem ter percebido que é uma área muito ampla. Então vai depender de com o que o profissional quer trabalhar.”

A gente foi pesquisar e descobrimos — por meio de dados coletados da pesquisa do Salario.com.br junto a dados oficiais do Novo CAGED, eSocial e Empregador Web — que a faixa salarial do Médico Sanitarista fica entre R$ 6.294,78 salário mediano da pesquisa e o teto salarial de R$ 18.801,36, sendo que R$ 6.961,64 é a média do piso salarial 2021 de acordos coletivos, levando em conta profissionais em regime CLT de todo o Brasil.  

Agora, é claro que tudo vai depender do caminho escolhido: atuar em empresas públicas ou privadas, grandes laboratórios, na indústria farmacêutica ou, ainda, na formação de outros médicos ou profissionais da área de saúde em cursos de pós-graduação ou formação. O fato é que, apesar da prática profissional burocratizada, o afastamento da relação médico-paciente e a multiprofissionalidade — que são características marcantes da especialidade — o médico sanitarista tem um papel fundamental na sociedade e isso tem ficado cada vez mais evidente, principalmente nos últimos dois anos, por conta da pandemia do novo coronavírus

A residência médica em Medicina Preventiva

A residência em Medicina Preventiva e Social é de acesso direto e tem 2 anos de duração. Nesse período, o residente vai estar envolvido em estágios em hospitais, centros epidemiológicos e, até, em secretarias de saúde e centros de atendimento à comunidade. 

E pra você conhecer mais de pertinho a formação acadêmica, as experiências de estudo, as dificuldades teóricas e, principalmente, a rotina de trabalho de quem já fez a residência médica em Medicina Preventiva, confere o que a Dra. Marina Pereira, que concluiu sua residência médica nessa especialidade agorinha, em 2021, na Unicamp, nos contou no nosso bate-papo. Ela falou pra gente um pouco sobre a sua residência e onde ela rodou ao longo de cada ano. Segue aí! 

“Acho que a residência de Medicina Preventiva e Social é sem dúvidas a mais tranquila de todas! Não damos plantão, todos os nossos fins de semana são livres e, salvo algumas exceções, temos atividades apenas em horário comercial. Porém, isso é compensado por uma carga extensa de leituras e estudos, inclusive no âmbito das Ciências Sociais.

No R1 ficamos o ano inteiro em uma Unidade Básica de Saúde. O intuito do R1 é compreender 100% qual é o funcionamento da Atenção Primária e vivenciar a longitudinalidade. Nossa prioridade não é atender (acaba que atendemos, afinal somos médicos e estamos lá disponíveis), mas sim compreender como funciona esse nível de atenção. Participamos das atividades coletivas (reuniões de equipe, matriciamento, grupos, conselho de saúde, etc) e ajudamos o gestor da unidade com coisas burocráticas e com desafios que surgem na unidade (com profissionais, usuários… o que aparecer). É interessante porque compreendemos como são feitas as articulações da rede a partir da ponta do sistema.

A parte teórica do R1 é bem pesada. Temos aulas quinzenais (quintas e sextas) junto com o mestrado profissional em Saúde Coletiva, onde aprendemos sobre a parte teórica desse campo. Pode parecer pouco porque é quinzenal, mas temos muitos textos para ler e escrever.

No R2 passamos na vigilância em saúde + CEREST, em um apoio distrital — que é como se fosse um braço da secretaria de saúde, isto é, um dos distritos de saúde — e na gestão hospitalar. Atualmente rodamos em um hospital estadual que é gerido pela UNICAMP.

Com a pandemia, meu R2 foi um pouco caótico. Consegui rodar em todos os meus estágios, mas com algumas alterações. Por exemplo, quando a pandemia começou em Campinas, eu estava rodando exatamente no Departamento de Vigilância. Ou seja, meu estágio da vigilância foi basicamente sobre como conter uma epidemia. Muito enriquecedor, mas senti falta de conhecer o funcionamento normal.”

Gostou de saber mais sobre o que é Medicina Preventiva?

Depois da leitura desse artigo, você já sabe o que é Medicina Preventiva e deve estar se imaginando planejando as mudanças sociais e as políticas públicas efetivas ou implantação de um serviço de saúde, não é mesmo? Então, já se decidiu se esse é o caminho que você quer seguir? Olha aqui como é a residência médica em Medicina Preventiva e Social na USP! Ainda não sabe qual instituição escolher? A gente sabe que é difícil mesmo se decidir por onde vai fazer sua residência em Medicina Preventiva

Mas, já é hora de começar a estudar! É hora de correr atrás do seu sonho! Você pode começar essa jornada aqui com a gente, estudando do jeito certo e com o direcionamento que você precisa para chegar no fim do ano mandando bem em todas as provas! 

E não importa a instituição que você escolheu: é fundamental se preparar corretamente, tanto para a prova teórica quanto para a prova prática e para a entrevista. Isso aumenta as suas chances de ser aprovado e, enfim, conseguir a posição desejada no programa. Na Academia Medway temos vários materiais gratuitos pra você se preparar do jeito certo: guias estatísticos, ebooks, aulas grátis… é só verificar!

E se você vai começar a se preparar para encarar a prova de residência médica, sugiro dar uma olhada no nosso e-book gratuito Os 15 bloqueios que te impedem de ser aprovado na residência para já começar com o pé direito, já vencendo os bloqueios mentais que atrapalham seus estudos e te impedem de ser aprovado na residência médica dos seus sonhos!

E se você já quer começar a estudar, saiba que pode dar os primeiros passos nessa jornada no Extensivo São Paulo, nosso curso que rola ao longo do ano inteiro, com videoaulas sobre os temas que você precisa saber e um app com milhares de questões comentadas. Além disso, ao se matricular, você ganha o Intensivo como bônus! Corre que ainda dá tempo de se inscrever. Bora pra cima! 

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Alexandre Remor

Nascido em 1991, em Florianópolis, formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e com Residência em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da FMUSP (HC-FMUSP) e Residência em Administração em Saúde no Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Fanático por novos aprendizados, empreendedorismo e administração.