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Estratégia de saúde da família: quais são seus princípios?

Você conhece a estrutura da estratégia de saúde da família (ESF) e seus princípios? Pois saiba que sistema de saúde está entre os temas que mais caem nas provas de residência médica em Medicina Preventiva e Social em São Paulo. No caso da USP-SP, por exemplo, atenção básica e SUS estão entre os principais focos. Está pronto para saber mais sobre a ESF?

Quando a gente pensa em políticas públicas voltadas à saúde, de cara lembramos do SUS (Sistema Único de Saúde) e do atendimento gratuito prestado a toda população, sem distinção! Você sabe isso: se está doente, vai ao posto de saúde mais próximo e lá tem os cuidados necessários para que o seu problema seja resolvido, e pronto! Pra todo mundo, durante muito tempo, o foco da assistência era a cura.

O que muita gente não sabe é que isso começou a mudar  desde os meados dos anos 90, quando uma parceria firmada entre o Ministério da Saúde e o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) fez surgir dois programas de atenção primária da saúde: o PSF (Programa de Saúde da Família) e o PACS (Programa de Agentes Comunitários da Saúde) que são vinculados e orientados pelos SUS, e desde então, têm mudado a vida de muitas famílias. 

Esquema com os principais componentes da Atenção Básica, que fazem parte da estratégia de saúde da família

Tudo começou em 1994, primeiro como um programa institucionalizado pelo Ministério da Saúde, mas deu tão certo que a nomenclatura atual – e que de fato reflete a realidade – é Estratégia de Saúde da Família (ESF), já que é pensada, planejada, estruturada para atender de forma preventiva e o mais abrangente possível, desfocando do modelo tradicional de assistência à saúde.

O que torna a Estratégia de Saúde da Família tão bem-sucedida é o fato de ela ser de Atenção Primária, que foca na família a partir do seu ambiente físico e social. É nessa atuação, dentro dessa nova lógica, que a medicina da família e comunidade busca atingir contínua e integralmente toda a população, acompanhando desde a saúde da criança, dos adultos, das mulheres e idosos de uma família ou as demandas de toda uma comunidade, por meio de ações efetivas de equipes multidisciplinares e profissionais de saúde de todas as especialidades e funções.

Quais são as funções dentro da Estratégia de Saúde da Família?

Para que isso aconteça, na prática, a tática é buscar a proximidade da equipe de saúde com os pacientes para permitir que se conheça a pessoa, a família e a vizinhança e o melhor de tudo, garantir maior adesão aos tratamentos e intervenções propostas, para que isso aconteça, o papel dos agentes comunitários de saúde é fundamental. O resultado é que, graças a eles e aos médicos do programa, mais problemas de saúde na atenção básica são resolvidos dentro da própria UBS (Unidade Básica de Saúde).

Outro trabalho bacana da Estratégia Saúde da Família (ESF), por meio de programas informativos e educacionais, é promover a qualidade de vida da população brasileira e intervir nos fatores que colocam a saúde em risco, como falta de atividade física, má alimentação, uso de tabaco, prevenção da Dengue e Zika, cursos para gestantes, orientação sobre amamentação, orientação sobre exames de tuberculose e HIV, distribuição de preservativos, dentre outros.

E com essa pandemia mundial causada pelo novo coronavírus, a missão, tanto dos médicos quanto de técnicos e agentes comunitários da Estratégia de Saúde da Família, é desafiadora: informar a cada cidadão brasileiro os fatores que determinam esta doença, esclarecer o perigo aos idosos e pessoas com doenças crônicas, como hipertensos e diabéticos. Essa atenção integral, equânime e contínua é que faz a ESF se fortalecer como a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) e transformar a saúde pública do país.

Como atuar na Estratégia de Saúde da Família?

A Estratégia Saúde da Família (ESF) é composta por uma equipe multiprofissional que tem, pelo menos, um médico generalista ou especialista em saúde da família ou médico de família e comunidade, um enfermeiro generalista ou especialista em saúde da família, um auxiliar ou técnico de enfermagem e vários agentes comunitários de saúde (ACS), que precisam dar conta de 100% das pessoas cadastradas, o que dá uma média de 750 pessoas por agente. Também há uma equipe de Saúde Bucal formada por cirurgião-dentista generalista ou especialista em saúde da família e técnicos em Saúde Bucal.

O papel do médico especialista em Medicina da Família e Comunidade é essencial para desafogar a demanda do SUS, já que ele vai direcionar melhor os pacientes a outros centros médicos, hospitais ou especialistas. E vai fazer toda a diferença o conhecimento da vida da comunidade, que leva em consideração não só a questão biológica, mas também fatores psicológicos e sociais  – a personalidade, a experiência de vida do paciente, seu ambiente também interferem na enfermidade. É aquele médico que conhece desde o avô ao bebê recém-chegado na família, e que antigamente a gente chamava de médico da família, sabe?

A residência em Medicina da Família e Comunidade

Se você pensa em ser esse profissional, o primeiro passo é se especializar, não é mesmo? A residência médica em Medicina da Família e Comunidade tem duração de 2 anos.

Durante esse tempo, você aprende a desenvolver várias características pessoais no seu dia a dia, como controle emocional, quebra de paradigmas, valores e preconceitos, empatia, isso só pra começar a lista! Imagina receber pessoas de todas as cores e tribos, idades e doenças? Vai dar conta de vários papéis, desde administrador para escalonar e coordenar com eficiência os encaminhamentos até educador para levar orientação e atenção humanizada, cuidado, respeito e qualidade de vida às pessoas que usam frequentemente os serviços de saúde do SUS.

Não é à toa que, hoje, essa especialidade abarca cerca de 13% do total das vagas dos programas de residência médica de acesso direto em instituições de todo o país. E se a gente conseguiu despertar em você aquela pulguinha atrás da orelha de curiosidade, confere aqui a entrevista que fizemos com um residente que contou pra gente tudo sobre a Residência Médica em Medicina da Família e Comunidade na  USP.

A gente sabe que escolher a especialidade para fazer residência médica é um martírio pra muitos. Mas, antes mesmo de pensar qual será a sua escolha,  você deve definir qual é o seu objetivo! Se é entrar 2021 com pé na residência, corre lá no blog pra saber como é a prova de residência médica da USP.

Vamos combinar que ninguém gosta de errar, né? Por isso, dá uma olhada nessas 20 questões de Preventiva que já caíram na prova teórica da USP pra mandar bem e sair na frente! E, claro, não deixe de conferir o nosso Guia Estatístico para saber mais sobre os principais temas das grandes áreas que caem na prova!

Bons estudos!

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JoãoVitor

João Vitor

Capixaba, nascido em 90. Graduado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e com formação em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP) e Administração em Saúde pelo Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Apaixonado por aprender e ensinar.