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Quantos médicos especialistas tem no Brasil?

Para você que ainda está na graduação de Medicina ou já é recém-formado na busca por uma vaga nos processos seletivos de residência médica, saber hoje quantos médicos especialistas tem no Brasil e ainda, com base em projeções, prever a continuidade do crescimento pode te ajudar a se inserir melhor no mercado de trabalho.

Imagem ilustrativa de médicos
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O mais recente estudo Demografia Médica no Brasil, realizado em parceria da  Universidade de São Paulo (USP) e com a colaboração entre o Conselho Federal de Medicina (CFM), traz pra gente as mais detalhadas informações sobre a população de médicos e seu exercício profissional e nos ajuda a responder a essa pergunta: quantos médicos especialistas tem no Brasil?

Os dados super atuais desse estudo mostraram que agora, em 2020, o Brasil passou a contar com mais de meio milhão de médicos! Isso mesmo! São mais de 500 mil médicos! E só nos últimos 10 anos, mais de 180 mil novos profissionais da área médica a mais que em décadas anteriores! Muito desse crescente aumento de médicos se dá por causa da política de abertura deliberada de escolas médicas e a expansão de vagas de graduação, acentuada principalmente a partir de 2013 pela Lei Mais Médicos.

E se tem mais profissionais, tem mais especialistas disponíveis, ou, pelo menos, mais pessoas participantes dos processos seletivos para a residência médica – que é uma modalidade de pós-graduação médica com treinamento em serviço. Pra você ter uma ideia, em janeiro de 2020, de todos os 478.010 médicos em atividade no Brasil, 61,3% deles possuíam um ou mais títulos de especialista, enquanto os outros 38,7% não tinham título em nenhuma especialidade. Isso quer dizer que, em números absolutos, o Brasil conta com cerca de 293.064 médicos especialistas e 184.946 generalistas, resultando em uma razão de 1,58 especialista para cada generalista.  O estudo levou em conta apenas as 55 especialidades médicas oficialmente reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Médica Brasileira (AMB).

Mas há mesmo diferença entre um especialista e um generalista?

O médico generalista é aquele sem título de especialista. Quem são eles? São os médicos que concluíram a graduação, mas não cursaram Residência Médica nem obtiveram título em sociedade médica. O especialista é o médico que concluiu a residência numa determinada área da medicina. É apenas ao final do programa de residência médica que o profissional recebe o título de especialista. Só então ele vai poder atuar na área específica escolhida.

É bom lembrar que um mesmo médico pode ter título em mais de uma especialidade e em mais de um estado do país. E aí, o estudo Demografia Médica no Brasil difere os números de títulos em especialidades dos número de médicos especialistas.

No Brasil, há hoje: 

  • 432.579 títulos em especialidades;
  • 293.064 médicos especialistas; 
  • 61,4% do total de médicos no Brasil têm um ou mais títulos de especialista.

Mas quais são as especialidades que concentram mais médicos?

E nas 55 especialidades médicas reconhecidas pela Comissão Mista de Especialidades (CME), composta pela CNRM, pelo CFM e pela AMB – apenas 4 especialidades concentram 40% dos especialistas e acirram ainda mais os processos seletivos de residência médica. Já sabe quais são elas? Ou não é nenhuma novidade pra você?

De modo bem resumido pra você entender e visualizar melhor, em relação às especialidades com maior quantidade de médicos, o estudo Demografia Médica no Brasil ressaltou que Clínica Médica, Pediatria, Cirurgia Geral e Ginecologia e Obstetrícia ocupam os primeiros lugares! Dá só uma conferida nos percentuais:

E por que é relevante saber quantos médicos especialistas tem no Brasil em cada especialidade? Porque mostra pra gente que o aumento do número de especialistas no Brasil acontece por conta da ampliação da oferta de vagas em residência médica, ainda que em ritmo menor que a expansão de cursos e vagas de graduação, acentuada a partir de 2013 pela Lei Mais Médicos.

A distribuição dos médicos especialistas no Brasil

Tá lembrado do que a gente já te falou lá no início deste artigo? Só no ano passado, em 2020, o Brasil passou a contar com meio milhão de médicos! Apesar disso, infelizmente, esse aumento expressivo do número de médicos ainda não foi capaz de reduzir as desigualdades na concentração de profissionais em algumas regiões, e nem beneficiou de forma homogênea a população e o sistema de saúde:

  • 21,5% dos médicos trabalham exclusivamente no Sistema Único de Saúde (SUS), 
  • 28,3% atuam exclusivamente no setor privado, no atendimento a planos de saúde e pacientes particulares. 
  • 50,2%, têm dupla prática pública e privada.

O estudo confirmou o senso comum de que o país ainda convive com locais de hiperconcentração de profissionais e locais carentes de médicos ou com dificuldade de retenção e reposição de profissionais. E isso abre pra gente um horizonte muito amplo na hora de escolher a especialidade: você olha pra dentro de si, de suas aptidões e sonhos, mas também busca nos dados, preencher as lacunas que faltam pra dar o pontapé inicial na residência médica e planejar melhor sua carreira e suas escolhas?

Os dados nos mostram que moradores das 48 cidades com mais de 500 mil habitantes que, juntas, reúnem 30% da população brasileira, e só eles contam com 60% dos médicos de todo o país! Infelizmente, os 3.800 municípios menores, com até 20 mil habitantes possuem, ao todo, menos de 14 mil médicos para atender à população. 

Os estados do Norte e do Nordeste são os que têm percentuais de médicos por habitantes muito inferiores às demais regiões. Fora de suas capitais, os municípios do interior do Norte e do Nordeste abrigam cerca de 76% da população e 46% dos médicos. E pra piorar a situação, há discrepâncias ainda maiores entre áreas urbanas e rurais.

Mudança no perfil do médico especialista

Mas, em contrapartida, o estudo também revelou uma mudança sem precedentes no perfil do profissional médico no país: são cada vez mais jovens os que se enveredam pelos estudos da medicina – impulsionados pela vontade de mudança social, pela alta remuneração, pelo uso de tecnologias de ponta em muitos setores e por haver nos dias de hoje a oportunidade de conciliar de forma mais equilibrada vida pessoal e profissional.

Só pra você ter uma ideia, o interesse gradual dos jovens pela medicina também impulsionou a expansão de cursos e vagas na área. Em apenas dez anos, de 2011 a 2020, foram abertas mais de 20 mil novas vagas de graduação, e o mais surpreendente é que 84% delas foram oferecidas por escolas médicas privadas e 71%, localizadas fora das capitais. E se tudo continuar seguindo esse mesmo fluxo e mantida a política de indução do governo federal com progressão de novos médicos formados anualmente, a gente vai certamente ultrapassar o número de vagas oferecidas hoje em dia: 38 mil! Isso vai exigir ainda mais regulação, avaliação e fiscalização para garantir a qualidade do ensino médico no Brasil.

A gente ainda teve algumas mudanças sutis no perfil demográfico e socioeconômico dos estudantes de Medicina, mais visível nas instituições públicas e que o estudo Demografia Médica no Brasil listou. Entre 2013 e 2019, houve aumento substancial da presença de alunos autodeclarados pretos e pardos, de alunos de baixa renda e de alunos que fizeram o  ensino médio em escola pública. Ao mudar, nem que seja lentamente, o paradigma do curso de medicina como sendo um curso da elite, a gente pode ver o reflexo de políticas afirmativas introduzidas no ensino superior público e uma maior inclusão social na graduação médica.

Os homens ainda são maioria em 36 das 55 especialidades médicas, mas as coisas estão mudando, e rápido! As mulheres se mantêm como maioria entre os novos médicos registrados nos Conselhos Regionais de Medicina, consolidando a tendência de feminização da medicina no Brasil e levantando a discussão mais do que necessária sobre desigualdade de gênero e dos motivos que levam as mulheres médicas a receberem remuneração inferior à dos médicos.

Aspecto financeiro: tá valendo a pena?

E quando a gente olha pra esse aspecto financeiro e analisa a evolução do trabalho médico no Brasil em cinco anos, comparando dois inquéritos nacionais de Demografia Médica no Brasil, de 2014 e 2019, os números são preocupantes pois há um volume pra lá de grande nas horas trabalhadas por semana, que pode impactar negativamente tanto na qualidade de vida do médico quanto na qualidade dos serviços e da assistência:

  • O percentual de médicos com quatro ou mais vínculos passou de 24% para 44% em cinco anos; 
  • 32% diziam trabalhar mais de 60 horas por semana em 2014 e 46%, em 2019; 
  • 48%, em 2019, e 45%, em 2014, mantêm o trabalho em consultório próprio ou  particular; 
  • 47% dos médicos, quase o mesmo percentual de cinco anos atrás (45%), praticam recorrentemente o regime de plantão
  • 35% dos médicos atuam em hospitais públicos; 
  • 40% dos médicos têm vínculo com hospitais privados que não atendem pelo SUS. 

A gente logo pensa que esse aumento da carga horária de trabalho é visando um aumento de renda, afinal de contas, depois dos longos anos de estudos e custos do investimento para a formação do médico, o profissional quer ter algum tipo de retorno financeiro e, é claro, finalmente encher o cofrinho! Mas apesar da metade dos médicos afirmar ganhar mais de R$ 16 mil mensais, e 18% receberem acima de R$ 27 mil por mês, segundo o estudo, a  percepção deles, no entanto, é de que em anos anteriores à pesquisa, eles tiveram remuneração reduzida, condições de trabalho pioradas e carga horária aumentada. Muitos médicos participantes do estudo foram, em maioria, críticos em relação ao SUS e também ao setor privado.

Com isso, a saúde da população brasileira – sempre afetada por determinantes sociais e pelo funcionamento do sistema de saúde público e privado – às vezes, sai perdendo e o estudo corrobora a opinião de que o futuro da medicina será determinado pelos rumos do sistema de saúde, pelas escolhas individuais dos médicos, pelo mercado, pelas tecnologias e pelas políticas públicas – de recursos humanos, de saúde, de formação e educação médica.

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AlexandreRemor

Alexandre Remor

Nascido em 1991, em Florianópolis, formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e com Residência em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da FMUSP (HC-FMUSP) e Residência em Administração em Saúde no Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Fanático por novos aprendizados, empreendedorismo e administração.