O que é Clínica Médica: saiba tudo sobre essa especialidade

A anamnese, a observação clínica, a compreensão do histórico das doenças de um paciente e a realização de exames são práticas antigas que foram determinantes na configuração da Medicina que conhecemos hoje. São ações presentes em diversas especialidades da atualidade e, em especial, na Clínica Médica. Mas o que é Clínica Médica?

Muita gente confunde essa especialidade com a atuação do médico generalista, mas são coisas bem diferentes. O médico generalista é aquele que não tem especialização, apenas se formou na faculdade. O clínico é aquele que, após a graduação, se especializa em Clínica Médica, uma das áreas mais abrangentes da Medicina. Vale destacar que quem se forma médico não se torna automaticamente um clínico geral, ao contrário do que uma galera pensa. Só é clínico (geral ou não) quem faz a residência em Clínica Médica. Quem ainda não tem especialização, como já mencionei, é o generalista.

Então bora falar mais sobre o que é Clínica Médica, essa área que exige uma grande capacidade analítica e muito fôlego para dar conta de tantas possibilidades de casos! Neste artigo, vamos tratar do mercado de trabalho, das áreas de atuação e muito mais!

Apesar de muita gente já ter ouvido falar, será que você sabe mesmo o que é clínica médica?

O que é Clínica Médica?

Já dissemos no início que a Clínica Médica é um dos campos mais amplos que existem, né? É considerada uma área base da Medicina porque nela se vê de tudo um pouco: o profissional vai ser capaz de tratar a maioria das enfermidades não cirúrgicas em adultos, entendendo um pouquinho de várias especialidades diferentes. 

Quando necessário, o clínico encaminha o paciente para outras especialidades, como a cardiologia, para realizar tratamentos mais específicos. Além disso, a Clínica Médica também é uma das principais áreas responsáveis pela prevenção de doenças.

Pra mergulhar nesse mundo, conversamos com o Djon Machado, nosso professor aqui da Medway, que se formou na residência de Clínica Médica na Unicamp em 2019! De cara, ele já mandou o papo reto sobre as características que determinam um bom profissional dessa especialidade:

“Um bom clínico é um profissional analítico (para poder analisar caso a caso, com a complexidade que cada um deles demanda), atualizado (um dos grandes desafios, pois a Clínica Médica é uma especialidade ampla) e que seja um excelente comunicador (tanto com a equipe, quanto com o paciente e com família). Vejo essas três habilidades como um tripé! Não existe um clínico completo que falhe em algum desses aspectos.”

Agora que você já entendeu melhor o que é Clínica Médica, bora nos aprofundar na prática do profissional dessa área, então! 

O que faz o profissional de Clínica Médica?

O clínico faz diagnósticos e indica tratamentos a partir de um quadro de sintomas que pode ser bastante variado. Por conta disso, muitas vezes ele é a porta de entrada de um paciente para a investigação de algum problema mais sério. Em contrapartida, também é ele quem indica exames para a realização de check-ups para aqueles que não possuem queixas específicas ou apenas desejam ter uma visão completa do próprio estado de saúde. Olha o que o Djon falou sobre o perfil desse profissional:

“A clínica geralmente atrai pessoas que gostam do desafio do raciocínio e que não colocam a remuneração alta como um fator indispensável para o que considera sucesso profissional.”

Os locais de atuação de um clínico são variados: ele realiza atendimentos em consultórios, mas também integra equipes de emergências e de internações. De acordo com o Djon, muitas vezes ele é uma “mãe” no hospital, especialmente quando a estrutura de trabalho não é a ideal: 

“Todo paciente que não tem especialidade responsável acaba ficando com a Clínica. A postura deve ser sempre acolhê-lo e organizar o fluxo adequado para o serviço. Não dá pra deixar o paciente na mão; o problema dessa falta de assistência não é dele (e temos que compreender isso de forma muito tranquila).”

Por fim, o clínico, muitas vezes, é quem organiza o atendimento de um paciente, até mesmo pelo fato de encaminhar os enfermos para outras especialidades. O Djon explicou o que isso significa:

“O profissional de Clínica Médica se torna um ordenador do cuidado dentro do hospital: muitas especialidades precisam do nosso atendimento, portanto, devemos responder os pareceres das especialidades de forma completa, clara e com um plano bem definido.”

Qual é a diferença entre Clínica Médica e Clínica Geral

Como já vimos, a Clínica Médica é uma especialidade, portanto, exige residência médica. Com ela, você se tornará um clínico e poderá tratar de pacientes adultos, que não precisam de procedimentos cirúrgico. Porém, é muito comum confundir Clínica Médica com a Clínica Geral.

No Brasil, os termos “clínico geral” e “generalista” são popularmente utilizados para se referir ao médico sem especialização. Recém-formado o profissional recebe o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) e é considerado apto para praticar a Medicina. Normalmente, são os generalistas que realizam diagnósticos, pedem e interpretam exames e, ainda, prescrevem tratamentos.

Já o profissional especializado em Clínica Médica, além de diagnósticos e tratamentos, realiza o acompanhamento da evolução do paciente, podendo, também, se subespecializar em diversas áreas da Medicina.

Quais são as características fundamentais de um clínico médico?

O Djon já deu a palavra: o clínico deve ser analítico, atualizado e bom comunicador. Mas isso é só o resumo. Para que você se torne um bom profissional de Clínica Médica, o básico é ter conhecimento suficiente para ponderar as condutas em cada caso, segundo o próprio Djon. Essa base teórica e prática é algo que se aprende especialmente na residência – e vamos falar mais pra frente sobre isso, então continua acompanhando por aqui! 

De acordo com nosso professor, também é mega importante que o profissional de Clínica Médica tenha compaixão, especialmente pelos pacientes que estão sob cuidados paliativos, para não agir com frieza ou indiferença em relação à família e à própria pessoa doente. E, mais uma vez, ele frisou a importância da comunicação em seus diversos aspectos, como empatia, observação e assertividade, tanto com a equipe médica quanto com os pacientes: 

“No caso dos pacientes, devemos aprender a reconhecer medos, frustrações e comportamentos hostis e lidar com isso sem levar para o lado pessoal. Os pacientes fazem uma transferência do sofrimento das mais variadas formas. Desenvolver um excelente vínculo e ter conversas sem rodeios, indo direto ao ponto, reforça a confiança.”

Como é a rotina e o mercado de trabalho do clínico?

Para entender de vez o que é Clínica Médica, vamos entender mais do cotidiano desse especialista. Pra começar, anota aí as doenças citadas pelo Djon que mais aparecem na rotina do médico dessa área: hipertensão, diabetes melito, obesidade, dislipidemia, infecções comunitárias e condições psiquiátricas.

E as possibilidades de atuação são muito diversas! No começo da carreira, você vai poder circular em diversas frentes de trabalho: ambulatórios, enfermarias, prontos-socorros (atendendo na porta ou na sala de emergência), UTIs de média a baixa complexidade ou consultórios. 

O que é Clínica Médica: detalhes sobre a residência e muito mais
O que é Clínica Médica: detalhes sobre a residência e muito mais

Nessa fase inicial, a dica do Djon é que você se dedique para ser um bom residente, pois dessa vão surgir as primeiras indicações com base no seu networking. Além disso, ele recomenda deixar espaços livres na agenda para poder inserir boas oportunidades de trabalho, abdicando das piores posições conforme melhoram seus vínculos. 

Por fim, mas não menos importante, ele cita a relevância de uma residência de respeito e recomenda que os futuros clínicos busquem se formar em escolas renomadas:

“Pode parecer bobeira, mas chegar em São Paulo sem conhecer ninguém e falar que fiz clínica na Unicamp me abriu muitas portas de forma fácil. A reputação da escola é vinculada a você. Por isso, faça por merecer!”

Falando em residência, sempre existe a possibilidade de cursar uma subespecialidade – o famoso R3! O Djon contou pra gente que é comum um clínico, quando adquire mais experiência, seguir esse caminho, além de existir uma certa pressão do mercado por um aprofundamento, já que a área é considerada mais ampla mesmo. Caso contrário, os profissionais de Clínica Médica conseguem evoluir na carreira ficando como “horizontais” ou “coordenadores” de emergências, enfermarias e ambulatórios. Outros clínicos, embora em menor número, abrem os próprios consultórios. 

De acordo com o Djon, a colocação do clínico no mercado de trabalho em geral é bem aceita, mas há fragilidades:

“Acredito que o ideal seria termos um clínico como um especialista em investigar e coordenar um cuidado focado na área (assim como o médico de família e comunidade coordena o cuidado de uma APS). Seria algo custo-efetivo, prazeroso e reforçaria a importância da especialidade.”

Quanto ganha um clínico?

Já falamos bastante sobre o que é Clínica Médica e como é a rotina do profissional que opta por esse caminho, certo? Mas outra informação que todo mundo quer saber é quanto cai na conta no fim do mês. A princípio, essa não é uma especialidade para quem mira em encher o cofrinho, pois fica aquém de áreas como Otorrinolaringologia, Oftalmologia, Cirurgia etc, mesmo com um volume de trabalho bem alto. 

Mas isso não significa que não dê para ser realizado na área. Então vamos direto ao assunto: um clínico ganha, em média, R$ 7.128,47 no mercado de trabalho brasileiro para uma jornada de trabalho de 24 horas semanais, de acordo com o site salario.com.br, junto a dados oficiais do Novo CAGED, e-Social e Empregador Web com base em salários de 23.093 profissionais no cargo e dados oficiais do mercado de trabalho para a profissão.

Esse valor representa apenas uma média; ele varia conforme a região do Brasil e também conforme a formação e especialização do médico. No entanto, o Djon contou pra gente que o salário é bem estável ao longo da carreira, o que pode ser um fator de desmotivação:

“Aí é que está o grande problema: não há muita diferença  entre a expectativa salarial de um recém-formado em relação a um profissional bem estabelecido (a não ser que você faça carreira como professor universitário – pelo menos antigamente, isso gerava uma diferença salarial). A expectativa de ganhos de alguém que trabalha de segunda a sexta-feira, em dois turnos e alguns fins de semana é de R$ 12 a 25 mil por mês.”

A residência médica em Clínica Médica 

A residência em Clínica Médica tem uma concorrência relevante nas instituições mais buscadas de São Paulo para se cursar essa especialidade, como USP, Unifesp e Unicamp, mas não está entre as especialidades mais disputadas – o que pode ser uma boa notícia se você tem essa área como objetivo. 

O programa dura dois anos e a especialidade é de acesso direto, ou seja, basta ser formado em Medicina para ingressar. Em geral, a carga horária é de 60 horas semanais, que correspondem a 2.880 horas anuais. Desse total, os estágios ocupam cerca de 80% das atividades, que são focadas no treinamento em serviço, e os demais 20% concentram atividades mais teóricas, como aulas, seminários e reuniões. Cada instituição tem suas particularidades também, por isso conversamos com residentes de Clínica Médica da Santa Casa, da USP-SP e da USP-RP. Aproveita pra conhecer mais sobre os programas!

Além dos estágios no pronto-socorro e na retaguarda, o Djon contou pra gente que no R1 ele atuou nas especialidades de cardiologia, hematologia, geriatria, endocrinologia, oncologia, reumatologia e na Unidade Básica de Saúde (UBS). Mas o destaque, pra ele, ficou bem claro:

“Por fim, o melhor ciclo do R1, na minha opinião, é o da EGA (Enfermaria Geral de Adultos). Lá, temos as discussões mais profundas sobre o cuidado do paciente e o cuidado longitudinal e todas as suas particularidades. É puro raciocínio clínico e investigação de casos. Durante esses três meses, de segunda a quarta, tínhamos também o AGA (Ambulatório Geral de Adultos) – onde atendíamos os casos novos, retornos e manejo de HAS, DM e dislipidemia. Além do mais, tínhamos um ambulatório específico de Chagas.”

No R2, o Djon explicou que os residentes acabam aprendendo sobre gestão, porque já se tornam responsáveis pelos leitos de internação, por dar vazão aos pacientes na sala de emergência e por realizar observação crítica. Os estágios são: UTI, pronto-socorro (sala de emergência e semi-intensiva), enfermaria geral de adultos novamente e vivência no Hospital Estadual de Sumaré, de assistência secundária. As especialidades do R2 são nefrologia, pneumologia, gastroenterologia e moléstias infecciosas. Na optativa, ele escolheu se aprofundar em nutrologia.

Por fim, a Clínica Médica serve como pré-requisito para quase todas as especialidades clínicas. Então, se você se decidir por esse caminho, depois vai poder se subespecializar em Cancerologia Clínica, Cardiologia, Endocrinologia, Gastroenterologia, Geriatria, Hematologia, Medicina Intensiva, Nefrologia, Pneumologia ou Reumatologia.

Qual é o melhor programa de residência em Clínica Médica?

A resposta pra essa pergunta está em você, na verdade. Tudo depende do que você quer para a sua vida. Existem excelentes programas em instituições como USP-SP, Unifesp, USP-RP, Unicamp, Santa Casa, Einstein, Sírio-Libanês, Unesp e Iamspe. Inclusive, já falamos sobre as instituições mais procuradas do estado de São Paulo para se fazer Clínica Médica aqui no blog, com informações que podem auxiliar na sua escolha. 

O Djon falou pra gente sobre o processo de escolha dele também, dá uma olhada:

“As coisas que levei em consideração, na época, eu vejo hoje que eram muito imaturas e guiadas pelo ego. Pra ser sincero, eu fui muito pela reputação, qualidade de vida do local próximo à residência e opiniões externas. Hoje, não recomendo que essas sejam as diretrizes de uma escolha. Por fim, fiquei extremamente satisfeito com a minha formação de clínico pela Unicamp – foi muito além do esperado. Contei com ajuda de uma tutora da faculdade na minha escolha, que me indicou essa instituição.”

Gostou de saber mais sobre o que é Clínica Médica?

Depois de tanta informação bacana, o que não falta é vontade de estar logo dentro da residência, não é mesmo? Então escolha sua instituição, aperte os cintos e vem VOAR na sua preparação para as provas com a gente!

Na Academia Medway, temos uma série de conteúdos que vão fazer diferença nos seus estudos, como os guias estatísticos por instituição, que mostram os temas que mais caem nas provas por grande área para que seu preparo seja focado no que realmente importa. Além disso, damos dicas sobre prova prática, sobre como montar um currículo e até sobre como melhorar sua atuação nas emergências! Acesse agora e confira!

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Alexandre Remor

Nascido em 1991, em Florianópolis, formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e com Residência em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da FMUSP (HC-FMUSP) e Residência em Administração em Saúde no Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Fanático por novos aprendizados, empreendedorismo e administração.