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Queimadura de 2° grau: tudo que você precisa saber

E aí pessoal, tudo em paz?Hoje vamos falar sobre a queimadura de 2° grau. Provavelmente todos que estão lendo já se queimaram em algum momento, em menor ou maior grau, e eventualmente foram orientadas medidas como aplicar pasta de dente, manteiga, gelo ou afins por algum familiar para alívio da dor.

Acreditem, no PS vocês encontrarão um conjunto infinito de possibilidades que as pessoas usam erroneamente quando se queimam. Então, quando se trata de queimadura, é importante saber o que fazer e o que não fazer em casa, quando internar ou dar alta.

A queimadura é uma lesão tecidual decorrente de trauma térmico, elétrico, químico ou radioativo, em que a profundidade, porcentagem do corpo acometido e as áreas afetadas são os definidores de condutas.

Sempre preciso ir ao hospital quando tenho uma queimadura?

A resposta é não e até o final da leitura será capaz de responder quando deve ir! Primeiramente, vamos classificar as queimaduras de acordo com a profundidade. 

Mas o que é uma queimadura de 2° grau?

A queimadura de 2º grau se divide em superficial e profunda. A superficial acomete epiderme e camada papilar da derme, muito dolorosas, tem superfície rosada e são úmidas, há a presença de bolhas. A profunda acomete epiderme e a camada reticular da derme, secas com coloração rosa pálido e a dor é moderada.

Confira uma queimadura de 2º grau superficial
Figura 2: Queimadura de segundo grau superficial.

Agora que já sabemos identificar uma queimadura de 2º grau, vamos para o segundo tópico definidor de conduta que é a área de superfície corporal queimada (SCQ). Como calcular? Nos adultos podemos utilizar a “regra dos nove”, em que a cabeça corresponde a 9%, parte anterior do tórax 18%, parte posterior do tórax 18%, membros superiores 9% cada, membros inferiores 18% cada, genitais 1%.

Outra regra existente é a da palma da mão, que geralmente representa 1% da superfície corporal do indivíduo (lembrando que devemos estimar pela palma da mão do indivíduo queimado, não pela nossa). 

Imagem ilustrativa atrelada à queimadura de 2º grau
Figura 3: Regra dos nove para cálculo de SCQ.

E por fim, mas não menos importante, a localização  das queimaduras fecha nosso tripé definidor de condutas. Mãos, pés, face, períneo, pescoço e olhos, quaisquer que sejam as profundidades e a extensão, necessitam de tratamento hospitalar.

Então beleza. Já sabemos classificar, calcular a SCQ, identificar áreas que por si só indicam necessidade de tratamento hospitalar. Mas como tratar?

Começando pelo simples e eficaz!

“Dr, me queimei, o que fazer de imediato?”. Depende do tipo de queimadura. Caso se trate de queimadura térmica por líquidos, objetos quentes, vapor ou fogo, a área afetada deve ser colocada sob água corrente para esfriar. Nunca, jamais, em hipótese alguma utilizar gelo. Cubra a área queimada com um pano limpo e remova imediatamente pulseiras, relógios, brincos, colares, cintos, sapatos e roupas.

Se for uma queimadura química, como por ácidos, o local deve ser colocado sob água corrente por pelo menos 20 minutos, também devem ser removidos os objetos citados anteriormente e roupas que estejam contaminadas pelo produto. No caso dos olhos, enxaguar abundantemente em água corrente até ajuda médica. Não esquecer de retirar as lentes de contato caso esteja utilizando.

Se for queimadura elétrica, não tocar na vítima até que esteja desligado a corrente elétrica e SEMPRE encaminhar para o serviço médico mais próximo.

“Dr, mas o que não posso fazer?”. Não utilizar pasta de dentes, pomadas, clara de ovo, manteiga, óleo de cozinha ou qualquer outro ingrediente sobre a área queimada. Guarde-os para fazer um bolo depois haha! 

O que fazer com a ferida no pronto-socorro?

A primeira medida ao tratar uma queimadura de 2° grau consiste em retirada de corpos estranhos, tecidos desvitalizados e limpeza da área com água e clorexidina degermante e realização de curativo oclusivo. E o que fazer com as bolhas? A literatura é conflitante sobre retirar ou não, mas a maioria dos serviços recomendam a remoção, pois elas diminuem o contato com os antimicrobianos tópicos e aumentam a chance de infecção. 

Dentre os antimicrobianos tópicos, o mais utilizado é a sulfadiazina de prata a 1%. Já em relação as queimaduras de segundo grau profundas/terceiro graus será necessário a excisão da área queimada e avaliação pelo especialista.

Outras medidas importantes consistem em reforço da dT, quando o paciente apresentar área queimada superior a 10% (checar situação vacinal) e o controle da dor!

E quando devo internar um paciente/referenciar para uma unidade de tratamento de queimados (UTQ)?

As principais indicações são:

  1. Queimadura de 2º grau > 10%;
  2. Queimaduras envolvendo a face, olhos, ouvidos, mãos, pés, genitálias, períneo ou a pele envolvendo grandes articulações;
  3. Queimaduras de 3º grau;
  4. Queimaduras elétricas graves;
  5. Queimaduras químicas importantes;
  6. Lesão por inalação de via área;
  7. Falta de equipe qualificada, material e equipamento adequados.

Detalhe importante: queimaduras de 1º grau não são consideradas para cálculo da SCQ!

Nesses casos, devemos nos atentar em estabilizar o paciente de acordo com o tipo de queimadura. Um ponto importante é a ressuscitação volêmica, visto que com a epiderme lesada e a resposta inflamatória do trauma, perde-se muito líquido por meio da exsudação. Existe uma fórmula por meio da qual podemos nos guiar em um primeiro momento: 

  • ATL 10º edição: 2 ml de Ringer Lactato (RL) x peso do paciente x SCQ;

Devemos infundir metade do volume calculado nas primeiras 8 horas a contar do momento do acidente e a outra metade nas 16 horas subsequentes!

 Cuidado com as lesões de via aérea!

Lembram da tragédia envolvendo a boate Kiss? A queimadura de via aérea ou o confinamento no ambiente em chamas não pode passar despercebido! A intoxicação por monóxido de carbono (CO) deve ser suspeitada em pacientes que ficam confinados e inalam fumaça. Pode ser encontrada a coloração vermelho cereja da pele e a conduta inicial é administrar imediatamente oxigênio a 100% em alto fluxo.

Cuidado com a oximetria, pois não é capaz de diferenciar a COHb da oxiemoglobina. Em casos que envolvem combustão de poliuretano, lã, algodão devemos suspeitar de intoxicação por cianeto e administrar tiossulfato de sódio e hidroxicobalamina.

O primeiro atendimento de um grande queimado deve ser pautado na estabilização (ABCDE na mente!).  É importante atentar para o envolvimento da via aérea, pois isso poderá indicar necessidade de proceder a intubação orotraqueal (IOT). E como desconfiar?

  1. Queimaduras cervicais ou faciais;
  2. Chamuscamento de vibrissas nasais e dos cílios;
  3. Escarro carbonado;
  4. Rouquidão;
  5. Confusão mental ou história de confinamento;

Sobre queimadura de 2º grau, é isso!

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MatheusCarvalho Silva

Matheus Carvalho Silva

Matheus Carvalho Silva, nascido em 1993, em Coronel Fabriciano (MG), se formou em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e hoje é residente em Cirurgia Geral na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM).