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Saiba como funciona o sistema de saúde e como fazer residência nos EUA

Sair da faculdade e entrar na residência médica é o sonho de todo mundo que busca uma especialização na área médica. Mas a gente sabe que o caminho pode ser tortuoso, exigente em todos os aspectos e pra lá de disputado! 

Uma opção para muitos brasileiros tem sido a busca por uma oportunidade de estudos fora do país e o destino preferido costuma ser os Estados Unidos: o sonho americano! Mas você sabe como funciona o sistema de saúde e como fazer a residência nos EUA? São muitas as dúvidas que permeiam a vida de quem pensa nisso: como me preparar? O investimento é grande? O que tenho que fazer? Se esse é o seu desejo, então, vem comigo que vou te contar tudo pra você chegar lá! 

Você sabe como funciona o sistema de saúde e como fazer a residência nos EUA?
Saiba a seguir tudo sobre o sistema de saúde e a residência nos EUA!

Como o estadunidense pode ter acesso à saúde? 

Antes de mais nada, vamos começar pelo sistema de saúde americano, que é muito diferente do nosso conhecido e gratuito Sistema Único de Saúde (SUS). Nos Estados Unidos, o sistema político é federalista e isso dá bastante autonomia para os estados criarem suas próprias leis e regras — que incluem o acesso dos cidadãos ao sistema de saúde. Dessa forma, cada estado pode oferecer diferentes tipos de cobertura à assistência médica e regular o funcionamento dos convênios. Não existe um sistema universal de saúde e a oferta de saúde nos EUA é protagonizada pelas seguradoras que, geralmente, são empresas privadas e funcionam de forma separada das instituições governamentais. 

E tal qual no Brasil, as seguradoras de saúde nos Estados Unidos oferecem várias categorias de planos com valores e coberturas distintas: os empresariais tendem a custar mais barato para os funcionários e os planos individuais pesam mais no bolso do cidadão, por isso, a forma mais usual de se ter acesso a um planos de saúde nos Estados Unidos é trabalhando em uma empresa que ofereça esse benefício aos funcionários e que também define as regras de uso, que podem permitir a cobertura de serviços mais simples, como atendimentos no pronto-socorro. De uma maneira geral, é necessário pagar uma quantia extra para consultas médicas, exames e tratamentos especializados, assim como os planos co-participativos brasileiros. 

Medcare, Medicaid, Obamacare, Trumpcare: me explica isso! 

Pra gente não falar que não existe de forma nenhuma algum tipo de serviço de saúde gratuito, o governo federal americano disponibiliza para as pessoas com 65 anos ou mais, que tenham contribuído com o pagamento de impostos para a saúde durante seus anos de trabalho, o chamado Medicare, que é financiado pela previdência dos Estados Unidos, mas que oferece cobertura apenas para os americanos com determinadas doenças terminais, certas deficiências ou alguma condição que os impeça de trabalhar. 

Outro sistema de saúde que é voltado para pessoas de qualquer idade que têm recursos financeiros extremamente limitados é o Medicaid. Este sistema de saúde já é custeado pelo governo federal juntamente com os estados da federação que o adotam e funcionam no sistema de reembolso a hospitais e médicos. A única exigência do governo a esse sistema é que ele beneficie prioritariamente, as famílias de baixa renda e as crianças que recebem renda de segurança suplementar. 

Em 2010, com o governo Obama, também entrou no rol dos benefícios de assistência à saúde para a população americana, o Patient Protection and Affordable Care Act, mais popularmente conhecido como Obamacare, cujo objetivo era ampliar o acesso dos americanos a convênios médicos. Quando assumiu a presidência em 2017, Donald Trump criou o Trumpcare, que possibilitou a manutenção no seguro de saúde dos pais, filhos com até 26 anos, além de outros ajustes ao pacote de saúde do governo anterior.

Já deu pra ver que o sistema de saúde público nos Estados Unidos não dá conta de contemplar toda a população de maneira ampla e irrestrita, nem de forma pública e gratuita como acontece no SUS no Brasil, além disso os seus cidadãos ficam sem muita opção e obrigatoriamente optam por contratar um convênio particular para garantir seus cuidados médicos.

Como fazer a residência nos EUA? 

Buscar por uma instituição e por um curso de especialização médica no Brasil, já dá uma baita dor de cabeça por conta das muitas opções e dúvidas que a gente encontra pelo caminho, agora imagina isso quando o que a gente quer mesmo, é ir pra outro país! 

Muitos estudantes de medicina se decepcionam, ao longo da graduação, com a qualidade e as dificuldades do sistema de saúde brasileiro, a acabam optando por fazer a sua especialização em países mais desenvolvidos e com melhor qualidade de vida. E mais: ainda podem — sem os entraves políticos — participar dos processos de melhoria contínua na educação médica, nas avaliações e na estrutura da qualidade do ensino. Países como os EUA que regulamentam e fiscalizam rigorosamente o exercício da medicina e dos cursos de especialização e ainda oferecem oportunidade de lidar com tecnologia e procedimentos de ponta, atraem médicos brasileiros. Mas como fazer a residência nos EUA?

Os passos não são muito simples, mas é completamente viável manter a chama desse sonho viva em seu coração: pra começar, é bom ter domínio do idioma! Isso porque todas as aulas, as discussões de caso e os estágios vão lidar com pessoas que só falam inglês 99% das vezes. Compreender bem o idioma vai te ajudar a não errar na hora de analisar ou entender um caso ou uma enfermidade. Então, bora praticar! Não podemos esquecer também da documentação necessária para se viver em outro país: passaportes, vistos, vacinas, dinheiro suficiente para o período em que ficará por lá. E coragem pra encarar os desafios que virão! 

A outra coisa que você precisa ter em mente pra fazer residência nos EUA é que você é um médico estrangeiro e nos Estados Unidos isso vai pesar menos. Eles valorizam o profissional nativo e você vai ter que correr atrás de se destacar nos outros requisitos para acesso à residência médica. Pra isso, é bacana que você já tenha algum tipo de vivência antes, com visitas a alguns programas de residência oferecidos no país, amplie seu networking e faça contatos com outros médicos na área que você deseja. Sabe por quê? Um dos pontos altos na aprovação é a recomendação de um mentor e é importante você saber que as instituições aceitam até 3 recomendações e pelo menos uma delas deve ser do diretor da faculdade de medicina onde você cursou a sua graduação. 

Além disso, você precisa formular uma carta de intenção, na qual você vai descrever os motivos que o levaram a tomar a decisão de fazer sua residência fora do seu país, seus desejos como profissional na área escolhida no futuro. E fica ligado: tudo deve ser escrito em inglês — pra isso, evidentemente, contar com um profissional que faça a tradução adequada pode te ajudar a abrir portas mais rapidamente se você não se sente confortável pra fazer isso sozinho! 

Além das cartas de recomendação e intenção, o que pode fazer você brilhar ainda mais é um portfólio eficiente: projetos de pesquisa, publicações, artigos, papers, estágios e experiências profissionais — pra muitas instituições americanas, esse é um requisito obrigatório na seleção aos programas de residência médica. 

Por isso, é tão importante tentar um estágio nos Estados Unidos, o famosos US Clinical Experience (USCE). Nem todos os programas exigem uma USCE, mas todos são super valorizados, uma vez que é uma evidência de que você é capaz de lidar com as exigências do trabalho em um ambiente hospitalar daqui. Além disso, a experiência em hospitais americanos é capaz de te dar as cartas de recomendação que você tanto precisa pra sua aplicação para a residência.

Mas pra onde eu mando tudo isso? Para o ECFMG – Educational Commission for Foreign Medical Graduates, que é o programa que certifica alunos internacionais de medicina que querem fazer a Residência Médica nos EUA. A ECFMG trabalha como uma agência de registro e certificado de notas para o USMLE – United States Medical Licensing Examination. Você se cadastra na plataforma e submete os documentos que após sua aprovação, lhe deixará apto pra realizar as provas do USMLE. 

O processo seletivo

E assim como no Brasil, há etapas de provas escritas e práticas para a aprovação, e tanto os médicos americanos quanto os estrangeiros fazem a mesma prova, dividida em três etapas ou 3 steps como são chamadas as etapas classificatórias nos EUA. A primeira delas consiste em uma prova escrita composta por 300 questões de múltipla escolha que vai avaliar o seu conhecimento sobre as 5 grandes áreas básicas da medicina: Ginecologia e Obstetrícia, Pediatria, Cirurgia, Clínica Médica, Medicina Preventiva. A boa notícia é que a prova é online e pode ser feita no Brasil mesmo, nos lugares credenciados pela instituição escolhida, que geralmente são as capitais do sul, sudeste e nordeste. 

Aprovado no primeiro step, pra segunda etapa você vai ter que arrumar as malas e partir pros Estados Unidos, já que a próxima fase é presencial e se parece muito com as seletivas para as provas práticas brasileiras. Para o second step, prepare-se para dois períodos: num primeiro momento há uma prova de 340 questões que compõem o CK – Clinical Knowledge e em um segundo momento, há a prática com o CS – Clinical Skills que consiste na realização de cerca de 13 simulações atendimentos como se fossem a primeira consulta e aqui são avaliados seu comprometimento, conhecimento, profissionalismo e ética. 

Pra partir pro step 3 você vai precisar ficar atento aos casos que refletem situações comuns no dia a dia de um médico generalista. Esse exame da terceira etapa tem duração de 2 dias. No primeiro dia são aplicados testes de Fundamentos da Prática Independente (FIP) e no segundo dia o foco é a Medicina Clínica Avançada (ACM). Essa etapa é importante pois vai fornecer a avaliação final aos médicos que ingressam na prestação de cuidados sem supervisão de preceptores. Ela também é uma espécie de validação do diploma médico e a aprovação na prova garante o certificado do ECFMG e você vai precisar dela para o título de residência.

Depois de tudo feito e aprovado, é correr pro abraço e pro consulado pegar o meu visto? Calma! Ainda não, moçada. É necessário se cadastrar no ERAS (Eletronic Residency Application System), que é uma base onde você coloca todo o seu currículo e se candidata aos programas e instituições que deseja realizar a sua residência. Aí sim, ao ser escolhido por um ou mais desses programas e realizar as entrevistas, e com a aprovação final delas, já pode aprontar as malas e começar a residência médica nos Estados Unidos.

Quanto custa fazer a residência médica nos EUA 

A gente fez um levantamento por alto, pra você ter uma ideia dos custos de cada etapa do processo e possa se planejar a longo prazo se esse é realmente o seu sonho. E já te adianto que os valores são elevados e podem variar dependendo da cotação do dólar na época. 

Se a gente somar as taxas de inscrições, as viagens, as traduções de documentos por tradutores juramentados, os estágios e as aplicações, os valores giram em torno de US$55.000 a US$65.000 por ano. Sem contar com passagens, moradia e alimentação. Mas calma, você não precisa pagar tudo de uma vez só: conforme as etapas forem acontecendo, você vai arcando com os custos. Vale também considerar que muitas instituições americanas oferecem bolsas para os programas de residência e as despesas com moradia, alimentação e transporte podem ser supridas por você mesmo. 

O mercado de trabalho após a residência nos EUA

Acabou: me formei, e agora? A gente quer fazer valer a pena não apenas na dedicação ao trabalho no dia a dia, ajudando as pessoas a terem saúde e qualidade de vida, mas também quer encher o cofrinho, ver o retorno financeiro de tantos anos de estudos, sacrifícios e investimentos, né? Pra começar você pode conferir por aqui quanto ganha um médico nos Estados Unidos. E se você quer continuar por esse mundão a fora, não pode deixar de saber quais são os melhores países para trabalhar como médico. 

Mas se a sua vibe é mesmo se formar lá fora e vir pro Brasil aplicar todo o seu conhecimento, tem que pensar mesmo em quais lugares vai trabalhar, porque o investimento é grande e a lista de boletos também! Saber alinhar as expectativas pessoais e o retorno financeiro é uma boa estratégia para conciliar amor à profissão e tricotar seu pé de meia! Sabe o que é interessante? É você comparar e analisar as diversas especialidades e os seus planos de vida. Quer saber quanto ganha um neurologista? Um médico anestesista? Ou quem sabe um cirurgião nas diferentes subespecialidades cirúrgicas? A gente já fez essa pesquisa pra você nem ter o trabalho de procurar por aí.

Outra coisa que você precisa ficar ligado é que o mercado de trabalho para médicos estrangeiros nos Estados Unidos é bem atraente e os profissionais são bem valorizados. Mas tem o entrave na hora de validar seu diploma de medicina, já que lá não tem a prova Revalida como no Brasil. Mas se você fez a residência médica na terra do Tio Sam, o caminho é mais fácil, já que seus documentos estão no ECFMG e seu registro de especialidades também. 

E aí? Curtiu saber como fazer residência nos EUA e o sistema de saúde? 

A residência nos EUA pode ser o caminho! Pra dar conta da pressão e mandar bem nas provas lá fora, a Medway Mentoria está aí pra te ajudar: um curso todinho focado em técnicas de estudo, revisão e planejamento. Quer brilhar nas provas práticas? Não pode deixar de baixar o nosso e-book focado nas provas práticas de residência médica

Mas se ficar por aqui mesmo, em terras tupiniquins, então, é chegada a hora de se preparar para as provas de residência! Inscreva-se no Extensivo São Paulo, o nosso curso com videoaulas ao vivo e gravadas com os temas que você realmente precisa saber para ingressar nas principais instituições do país. Também oferecemos um app com milhares de questões comentadas e acesso ao curso Intensivo São Paulo a partir do meio do ano.

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Bora pra cima!

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AlexandreRemor

Alexandre Remor

Nascido em 1991, em Florianópolis, formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e com Residência em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da FMUSP (HC-FMUSP) e Residência em Administração em Saúde no Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Fanático por novos aprendizados, empreendedorismo e administração.