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Como é a residência em Cardiologia no Dante Pazzanese?

Fala moçada! E aí? Já decidiu que é a residência médica em Cardiologia que você quer né? Agora então, só falta mesmo decidir em qual instituição fazer e, para muita gente, o desejo de cursar a residência em uma instituição de ponta faz toda a diferença! E foi pensando nisso que a gente traz pra você um pouco mais de informação sobre como é a residência em Cardiologia no Dante Pazzanese. 

O Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia é considerado hoje em dia, um dos berços da cirurgia cardiovascular brasileira, além de ser um centro acadêmico de excelência já que é vinculado à Universidade de São Paulo (USP-SP). E o melhor! Pra você que está de olho em uma das vagas em São Paulo, o Dante Pazzanese fica alí pertinho do Parque Ibirapuera. 

Para ajudar a gente nessa missão, conversamos com o Douglas Francisco que terminou a sua residência médica em Cardiologia no Instituto Dante Pazzanese em fevereiro de 2021. 

João: Vou começar com uma pergunta que a gente sabe que é bastante pessoal, mas todo mundo pergunta: na sua opinião, qual o melhor estágio da sua residência e por quê?

Douglas: Acho que é o pronto-socorro, porque a gente recebe só casos de Cardiologia. O pronto-socorro do Dante é referenciado e tem uma variedade de doenças impressionante. Atendemos um volume  de pacientes muito alto em todas as subespecialidades: chega paciente com arritmia, infarto, enfim, todas as áreas têm algum paciente no PS. Rodei nesse estágio no final da residência, com mais maturidade e conhecimento da área, o que foi muito bom. Mas existem outros estágios ótimos também, como a UTI pós-operatória e a UCO (Unidade Coronariana).

João: Tem algum médico assistente que você considere sensacional ou um exemplo para sua formação? Por quê? 

Douglas: Sim, tem vários. Tem o Dr. Jorge Assef no PS e na Coronariana tem o Dr. Pedro Farsk. Essas pessoas me marcaram porque, além de passarem conhecimento de maneira muito humilde e respeitosa, também cobram bastante que o residente estude e retribua, e deixam os setores muito organizados. Eles fazem um papel de chefe mesmo: cobram, ensinam e são organizados.

João: Conta um pouco pra mim sobre onde vocês rodam ao longo de toda a residência médica em Cardiologia no Dante Pazzanese.

Douglas: No R1 de Cardiologia, passamos por Insuficiência Cardíaca (que no Dante fica em Miocardiopatias), no setor de Hipertensão (um mês), em Dislipidemia, temos um mês de férias, passamos dois meses na Ergometria, um mês no PS e um mês na Eletrocardiografia e Tele-eletrocardiografia (é um setor que lauda eletros para o estado inteiro). No R2, passamos em enfermarias: coronária, válvula, UCO, UTI pós-operatória, coronária. Também temos um mês no PS, que é o único estágio que repete. O hospital tem uma estrutura que fornece conhecimento de maneira bem segmentada e dividida em todos os temas da Cardiologia. Passamos em um tema por mês. Essa é a maior diferença de fazer residência em hospital de referência de Cardiologia em relação a um hospital geral que atende tudo, em que você não tem nem estrutura pras subespecialidades. 

João: Existem estágios eletivos na sua residência? É possível (e comum) fazer um estágio fora do país?

Douglas: Sim, há estágios eletivos. Não tem um mês livre pra fazer eletiva, porque o programa de 24 meses não comporta o mês livre. Mas o Dante recebe muitos residentes, tanto de outros países da América Latina, como Bolívia, Venezuela, quanto de outras universidades brasileiras de cidades como Ribeirão Preto, Catanduva, São José do Rio Preto, etc. 

João: Sua residência, de forma geral, respeita as 60 horas semanais? E qual a carga máxima de plantão que você dá na sua residência? Existe algum período de descanso pré ou pós-plantão? Conta pra gente como é isso! 

Douglas: Sim, respeita, mas se contarmos plantões, pode variar um pouco. Eu fazia 72 plantões no R1 e 40 no R2. Se dividíssemos mais os plantões, talvez não passasse no R1. No R4 realmente não passa. A rotina em si é muito corrida pela manhã, mas à tarde costuma ser mais tranquila. Algumas semanas eram mais difíceis e outras mais livres. 

João: Me conta rapidinho: de 0 (nada) a 10 (demais), o quanto sua residência foca em parte teórica? Conta pra gente quais são as principais atividades teóricas que você tem ao longo da sua residência.

Douglas: Eu dou nota 10.

João: Para entender melhor sua nota, conta pra gente quais são as principais atividades teóricas que você tem ao longo da sua residência.

Douglas: Eu sinto que poderia até ter utilizado melhor o tempo livre que eu tinha, porque o hospital fornece muita coisa e às vezes a gente deixa de aproveitar algumas oportunidades porque estamos cansados da residência. Todos os setores costumam ter um programa de aula e discussão de artigo ao menos uma vez na semana e toda a parte ambulatorial do hospital (com exceção do PS e da UTI) se reúne todas as sextas-feiras, das 8h às 9h, pra um fórum com discussão de um caso clínico, transmitido pelo YouTube. O Dante foi o único lugar que eu vi que tem esse espaço, que não existia na Clínica Médica na Unicamp, por exemplo.

João: Aproveitando o embalo: de 0 (nada) a 10 (demais), o quanto sua residência foca em parte acadêmica? Explica pra mim como você enxerga o foco na parte acadêmica dentro do Dante Pazzanese.

Douglas: Nota 10. 

João: Queria entender mais sobre a sua nota. Conta mais pra gente sobre como você enxerga o foco na parte acadêmica na instituição em que você faz residência.

Douglas: Eu não participei de pesquisa porque eu não quis. Mas existem muitas iniciativas. Até 2020, todos os pacientes internados tinham prontuário físico e o prontuário dos pacientes do ambulatório era eletrônicos, então os residentes se organizaram pra virar tudo digital. O Dante tem funcionários contratados que são estatísticos; se você quer fazer pesquisa é só agendar data e hora porque eles estão lá só pra isso. O pessoal geralmente acha que o Dante é um hospital como os públicos, com volume muito grande de casos e muita prática e que, por conta disso, essa parte do trabalho acadêmico fica de fora, mas tem oportunidade de mestrado e doutorado vinculado com a USP. Você pode fazer residência em Cardiologia e já sair como mestre pela USP. No doutorado, você precisa pelo menos já ser cardiologista. 

João: Quais os pontos fortes da sua residência?

Douglas: Acho que é a organização. O Dante tem uma ajuda da Fundação Adib Jantene, que auxilia com doações, verba e organização do hospital. A estrutura física do Dante também é muito boa. Temos muita qualidade nos materiais e equipamentos. Na Ecocardiografia, subespecialidade que estou fazendo agora, é tudo de última geração, são equipamentos que talvez nem clínicas particulares tenham. 

João: E tem algum ponto que você acha que poderia melhorar?

Douglas: Acho que poderíamos ter menos plantões no R1 para podermos chegar no R2 mais tranquilos e com mais tempo livre para estudar.

João: A sua residência disponibiliza quais “comodidades” para os residentes? Ex: como é a alimentação, como é o processo de seleção para moradia (se disponível)…

Douglas: Moradia não temos. O que temos é a bolsa, como as demais residências. Também temos estacionamento gratuito e alimentação do dia inteiro (café da manhã, almoço e jantar). 

João: Você não é de São Paulo, né? Pretende voltar para sua cidade de origem?

Douglas: Não, sou de Londrina no Paraná e quero sim voltar para minha cidade. 

João: Você conhece alguém de fora e que voltou ou pretende voltar para a sua cidade após a residência? Acha que é possível se inserir bem no mercado?

Douglas: Depois de trabalhar em hospitais bons, tenho um pouco de receio de ficar refém de equipes menores, em função de vários fatores, desde pagamento até condições de trabalho. Conheço pessoas que voltaram sim, não muito próximas, mas os chefes de Londrina tinham feito residência no Dante ou no Incor (os três melhores chefes da Cardiologia da Universidade Estadual de Londrina, onde fiz Medicina). Eles voltaram há muito tempo, estão super bem, são professores universitários, são uma inspiração. Sei que hoje a realidade é bem diferente porque em cidade menor você precisa entrar em uma cooperativa médica. Na região também tem muito cardiologista, não é muito fácil. Mas é possível. 

João: Tem mais alguma coisa que você queira falar sobre a sua residência que a gente não perguntou?

Douglas: Um dado importante é que o Dante foi eleito um dos 50 melhores hospitais de Cardiologia do mundo pelo ranking da The Newsweek 2021. O Dante é a maior residência de Cardiologia da América Latina, tem 66 vagas de residência, é onde tem mais vagas e bolsas. 

Gostou de saber mais sobre como é fazer residência em Cardiologia no Dante Pazzanese?

Legal demais, né? Os estágios são incríveis, pega muita mão e a vivência é marcante! E com a vantagem de estar aqui mesmo, na capital paulista! Viu só que bacana que foi poder compartilhar a experiência do Douglas com vocês?

Curtiu a entrevista e quer saber mais? Corre aqui no blog pra saber sobre os outros programas de residência médica e confira quais são as instituições mais buscadas pra fazer residência médica em Cardiologia em São Paulo!

E se é aqui em São Paulo  que mora o seu sonho de residência médica, não deixa de conferir mais ainda sobre outros programas de residência médica, pois estamos sempre trazendo entrevistas sobre como é a residência nas principais instituições do Brasil!

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JoãoVitor

João Vitor

Capixaba, nascido em 90. Graduado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e com formação em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP) e Administração em Saúde pelo Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Apaixonado por aprender e ensinar.