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Como é a residência em Infectologia na Unicamp

Com a pandemia de covid-19, a Infectologia foi uma das áreas que ganhou grande destaque e relevância nos últimos meses, atraindo os olhares daqueles que procuram por uma residência. Se você sonha com essa especialidade, hoje o papo é do seu interesse: vamos falar sobre como é a residência em Infectologia na Unicamp, uma das instituições mais reconhecidas do país.

Para começar, a residência médica da tradicional Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, que tem 57 anos de existência, conta com 47 especialidades, 36 áreas de atuação e 6 programas de anos adicionais. No caso da Infectologia, a residência é de acesso direto (ou seja, não tem pré-requisitos), dura 3 anos

É importante você saber que essa é uma especialidade com pouquíssimas vagas apenas 3. No processo seletivo para ingresso em 2021, 42 médicos se inscreveram, portanto eram 14 candidatos por vaga. Isso significa que seu preparo precisa ser realmente focado para que você seja um dos 3 selecionados. Mas calma, que é possível! Para te ajudar, contamos tudo sobre como é a prova da Unicamp aqui no Blog. 

Vale ressaltar também que a Unicamp é uma das instituições mais procuradas para se fazer Infectologia em SP. Entre os motivos, está o respeitado complexo hospitalar da instituição. No caso da Infectologia, é no Hospital de Clínicas onde ocorre a maior parte da vivência — local que faz mais de 32 mil atendimentos mensais considerando várias especialidades! Além disso, a FCM já foi convidada duas vezes a indicar concorrentes para o Prêmio Nobel de Medicina. Isso é que é reputação, hein!

Para mergulhar totalmente no mundo da residência em Infectologia na Unicamp, conversamos com o André, que é R3 por lá, e com o Felipe, que é recém-formado. Eles mandaram o papo reto sobre a residência, os estágios, as principais atividades e muito mais. Vem conferir essa conversa! 

A residência em Infectologia na Unicamp é realizada no Hospital de Clínicas da universidade
Fachada do Hospital de Clínicas da Unicamp (Créditos: Caius Lucilius/HC Unicamp)

Joana: Vou começar com uma pergunta que é muito pessoal, mas precisamos fazer: para você, qual é o melhor estágio da residência em Infectologia na Unicamp?

André: Para mim, é o estágio de enfermaria. São 6 meses não corridos durante o R2, em que ficamos responsáveis pela enfermaria de Infectologia do HC-Unicamp. Embora seja muito cansativo, temos autonomia para internar casos na unidade e somos responsáveis pela condução clínica dos pacientes, pelo contato com seus familiares e pela gestão com equipes (multiprofissional, outros residentes e internos). As visitas acontecem diariamente e há um momento semanal de discussão de artigos/guidelines sobre casos internados.

Felipe: O estágio de ambulatório HIV/AIDS e o estágio de enfermaria de Infectologia, pra mim, foram os melhores. O ambulatório tem um clima muito gostoso e fica num local que funciona como hospital-dia apenas para Infectologia (para atendimento ambulatorial, pequenos procedimentos e medicações EV sem necessidade de internação) As chefes/preceptoras são muito atenciosas com os residentes. Já a enfermaria é muito rica e os casos são diversos, aprende-se muito nas discussões com chefes e na independência que você tem nesse estágio.

Joana: Tem algum médico assistente que você considere sensacional ou exemplo para sua formação? Por quê?

André: Citar um seria injusto, considerando principalmente o momento de pandemia que atravessamos. Foram os médicos assistentes que essencialmente estiveram ao nosso lado, no dia a dia, durante a pandemia.

Felipe: Praticamente todos os docentes e preceptores têm grande importância na nossa formação. Há um corpo docente muito diverso, com ótimos especialistas em cada área de atuação da Infectologia.

Joana: Conta um pouco sobre onde vocês rodam ao longo de toda a residência em Infectologia na Unicamp. 

André: No R1, temos essencialmente clínica médica (PS, emergência, UTI e especialidades) e participamos de estágios de vigilância epidemiológica, microbiologia, noções de risco biológico/medicina do viajante, ambulatório de micobacterioses e CRIE. No R2, passamos por enfermaria de Infectologia, CCIH, ambulatórios de HIV/AIDS e ambulatório de hepatites. No R3, temos ambulatório geral, HIV/AIDS, interconsultas de Infectologia, CCIH, estágio eletivo, e ambulatório pré-transplante.

Felipe: No R1, rodamos em estágios da clínica médica quase o ano todo, com exceção de 3 meses de Infectologia. Nesse ano, dividimos plantões também com os residentes da Clínica Médica (PS, UTI, semi-intensiva e enfermarias). Os estágios são diversos: gastroenterologia, nefrologia, hematologia, pneumologia, PS, enfermaria semi-intensiva e UTI. No R2, temos metade do ano com responsabilidade na condução da enfermaria de infectologia e a outra metade em ambulatórios (HIV/AIDS e hepatites virais) e CCIH. No R3, fazemos interconsultas pelo HC da Unicamp, ambulatórios e CCIH. Há também um mês de estágio eletivo.

Joana: Falando em estágio eletivo, como funciona isso? É possível (e comum) fazer um estágio fora do país?

André: Sim. O estágio eletivo da residência em Infectologia na Unicamp dura um mês durante o R3, com possibilidade de utilizar o período de férias. É possível realizar estágios em outras áreas da universidade e/ou de outras instituições, do Brasil ou do exterior.

Felipe: É possível sim. Eu mesmo fiz em Toronto. Uma colega de residência fez em Angola, outra fez nos Estados Unidos.

Joana: Me conta: sua residência, de uma forma geral, respeita as 60 horas semanais? E qual a carga máxima de plantão que você dá na sua residência? Se existir algum período de descanso pré ou pós-plantão, explica pra gente como é isso:

André: Respeita. Em média, temos 54 plantões durante o R1, com folga pós-plantão no dia seguinte (meio período). Temos evoluções de enfermaria durante os finais de semana e feriados no R2, além de cobertura à distância de casos no PS. 

Felipe: Respeita sim. No meu R1, foram 54 plantões (ou próximo disso) para cada residente durante todo o ano. Eles não são distribuídos igualmente durante os meses, pois há uma sugestão de não fazer plantões durante alguns estágios de carga horária maior (PS, UTI, semi intensiva). Há pós-plantão na manhã seguinte ao plantão noturno.

Joana: De 0 (nada) a 10 (demais), o quanto sua residência foca em parte teórica? 

André: 5.

Felipe: 6.

Joana: Para entender melhor sua nota, conta pra gente quais são as principais atividades teóricas que você tem ao longo da sua residência.

André: Talvez essa seja minha maior crítica à residência. Há momentos semanais de discussão de artigos durante alguns estágios (enfermaria, HIV/AIDS, CCIH), bem como aulas teóricas vinculadas à neuroinfectologia. Iniciamos, em 2020, atividades teóricas, que merecem mais organização e logística na residência em Infectologia na Unicamp. 

Felipe: Há alguns estágios em que, uma vez por semana, nos reunimos para apresentar um artigo científico ou discutir algum caso diferente. Entretanto, são reuniões apresentadas pelos residentes com comentários dos docentes. Não há muito espaço pra aula do docente.

Joana: Aproveitando o embalo: de 0 (nada) a 10 (demais), o quanto sua residência foca em parte acadêmica? Conta mais sobre como você enxerga o esse aspecto na residência em Infectologia na Unicamp. 

Felipe: Atribuo uma nota 7 ao foco na parte acadêmica. Apesar de ser um aspecto presente, o interesse depende muito do residente. Você pode sair da residência sem publicar ou apresentar nenhum trabalho científico e não será inferiorizado pelos docentes por isso. Mas se você tiver interesse, definitivamente há espaço para publicações e apresentações de trabalho.

Joana:  Quais os pontos fortes da sua residência na Unicamp?

André: Para mim, os pontos de destaque são: grande autonomia na condução de casos da enfermaria, incluindo manejo de pacientes graves e com intercorrências clínicas; formação dentro de um hospital geral, que permite uma visão ampla frente ao caso (contato próximo com microbiologia, radiologia, outras especialidades etc); R1 inserido na clínica médica; boa formação em HIV/AIDS; e estímulo à pós-graduação (R4, mestrado/doutorado).

Felipe: Na minha opinião, nós saímos da residência com muita segurança para trabalhar na maioria das áreas, já que temos muitas discussões durante os estágios. Temos muita autonomia e independência. Atendemos muitos casos complexos, já que estamos num grande hospital de referência do estado, o que é também um diferencial. Além disso, os preceptores e docentes são ultra especializados e atuantes em suas áreas, o que torna as discussões muito ricas.

Joana: E tem algum ponto que você acha que poderia melhorar?

André: Acredito que os pontos de melhoria sejam: formação teórica; inserção em atenção básica (CTAs, UBSs), que hoje é zero; e aumento do contato com a população vulnerável e negligenciada (indígenas, profissionais do sexo, etc). Nesse caso, o contato existe aquém do necessário. Se houver interesse, há caminhos na Universidade para essa imersão.

Felipe: Gostaria que os docentes tivessem uma programação de aulas e temas teóricos pra gente. Acho que é o que mais falta.

Joana: E dá pra conciliar a residência em Infectologia na Unicamp com plantões externos? A maioria faz isso?

André: Sim, muito embora, na minha opinião, a residência não deva “competir” com plantões externos. Devemos nos lembrar que a residência é um momento de aprendizado e “perder” este momento em troca de trabalho externo pode prejudicar o aprendizado. Minha média de plantões externos é de um a dois por mês.

Felipe: Sim. A maioria faz. No R2, nos meses de enfermaria, geralmente não é muito fácil de conciliar. Mas nos demais estágios e no R3 dá pra fazer plantão externo sim.

Joana: Quais “comodidades” a sua residência disponibiliza? 

André: Prefiro substituir o termo “comodidades” por “direitos”. Existe complementação da bolsa, como auxílio moradia, bem como 3 refeições gratuitas por dia no restaurante universitário.

Felipe: Há um bandejão no hospital, disponível para os residentes sem custo, com almoço, janta e ceia. Há uma moradia da Unicamp também, sem distinção para a residência. Deve existir um processo seletivo que leva em conta a renda familiar, porém eu desconheço como funciona. 

Joana: Nenhum de vocês é natural da cidade onde fazem a residência e nem pensam em voltar. Mas quero saber se vocês conhecem alguém que voltou ou pretende voltar para a cidade de origem. Acham que é possível se inserir bem no mercado?

André: Acho que é possível sim. De modo geral, a formação em Infectologia é pouco buscada e, fora dos grandes centros, há falta de profissionais na especialidade.

Felipe: Conheço sim, alguns residentes ficam, outros retornam para suas cidades. Ao que parece, todos estão trabalhando na área.

Joana: Tem mais alguma coisa que você queira falar sobre a sua residência que a gente não perguntou?

André: A escolha da instituição deve levar em conta qual perfil de formação você busca: serviço público ou  privado, universitário ou assistencial, possibilidades de estágio eletivo, estímulo à carreira em pesquisa e docência, entre outros aspectos. 

Vista aérea do campus onde é realizada a residência em Infectologia na Unicamp
Vista aérea do campus da Unicamp (Créditos: Antoninho Perri/Unicamp)

E aí, curtiu saber como é a residência em Infectologia na Unicamp?

Se esse é o seu grande objetivo, aposto que os depoimentos do André e do Felipe já deixaram um gostinho de “quero mais” por aí! Afinal, tem muita coisa que a gente quer saber antes de entrar na residência que ninguém conta, né? Espero que essas informações tenham ajudado um pouco a esclarecer as coisas por aí, padawan! 

Agora, uma coisa é certa: pra chegar na residência médica em Infectologia na Unicamp, tem que ralar. Desculpa dar essa notícia ruim, mas a real é que praticamente todas as especialidades e instituições renomadas demandam um preparo de excelência. Mas calma, que não vou jogar o problema no seu colo sem te ajudar com a solução. Aqui na Medway, preparamos dois e-books que tenho certeza que serão úteis pra você: um deles é o Guia Definitivo da Residência Médica na Unicamp, com TUDO que você precisa saber pra entrar lá, e o outro é o Guia Estatístico da Unicamp, com os principais temas que caem nas provas em cada grande área. Dá uma olhada e depois comenta aqui o que achou dos materiais!

Além disso, vou te fazer um convite: clicando aqui, você acessa a página do Extensivo São Paulo, nosso curso que rola ao longo do ano com videoaulas ao vivo abordando temas que você realmente precisa saber para passar na prova da residência. Além disso, no Extensivo você conta com um app com milhares de questões comentadas e bônus incríveis, como acesso ao Intensivo São Paulo a partir do meio do ano. Vem com a gente, que você não vai estar sozinho nessa jornada! 

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Joana Rezende

Carioca da gema, nasceu em 93 e formou-se Pediatra pela UFRJ em 2019. No mesmo ano, prestou novo concurso de Residência Médica e foi aprovada em Neurologia no HCFMUSP, porém, não ingressou. Acredita firmemente que a vida não tem só um caminho certo e, por isso, desde então trabalha com suas duas grandes paixões: o ensino e a medicina.