Como é residência em Otorrinolaringologia na USP

A Otorrinolaringologia é uma especialidade que traz muitos desafios, casos complexos e uma rotina dinâmica. Como envolve nariz, boca e ouvido, tem uma atuação bastante ampla e que trabalha várias qualidades profissionais. Para poder atuar na área, a residência em Otorrinolaringologia na USP é uma das maiores referências no país.

O programa de especialização dura 3 anos e inclui diversos estágios, desde atendimento ambulatorial a cirurgias complexas. Tudo acontece no HU (Hospital Universitário) e no Hospital das Clínicas da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). É a sua chance de sair pronto para começar a atuar na área!

Aliás, se você estiver se preparando para conseguir a aprovação, temos um conteúdo especial sobre a prova de residência da USP, e você ainda pode aproveitar para conferir nosso e-book com 20 questões comentadas de Preventiva que caíram na prova.

Só que antes de fazer essa escolha, vale conhecer melhor a residência médica em Otorrinolaringologia. Por isso, conversamos com o Pedro, que é R3 e contou um pouquinho para gente sobre a rotina.

Venha mergulhar no mundo da residência em Otorrinolaringologia na USP e saiba se ela é para você!

João Vitor: Vou começar com uma pergunta que sei que é muito pessoal, mas é inevitável: para você, qual é o melhor estágio da residência em Otorrinolaringologia na USP?

Pedro: Para mim, é o estágio em Rinologia. Temos visitas presenciais diárias na enfermaria à beira do leito, cirurgias interessantes, ambulatórios de subáreas (fibrose cística, discinesias ciliares, pós-operatório, reunião geral de rinologia) e assistentes preocupados com a parte acadêmica.

João Vitor: Tem algum médico assistente que você considere sensacional ou exemplo para sua formação? Por quê?

Pedro: Especialmente, o Dr. Fábio Jacob e o Dr. Rui Imamura. São assistentes preocupados com o bem-estar dos pacientes e com o aprendizado dos residentes. Nos dão muitas dicas valiosas para o futuro na vida privada e valorizam os momentos de descontração social com os residentes. Grandes médicos, professores e pessoas.

João Vitor: Conta um pouco sobre onde vocês rodam ao longo de toda a residência em Otorrinolaringologia na USP.

Quem faz residência em Otorrinolaringologia na USP atua, principalmente, no HC
Os residentes de Otorrinolaringologia da USP atuam, principalmente, no Hospital das Clínicas da FMUSP

Pedro: A residência em Otorrinolaringologia na USP é subdividida em grupos que são trabalhados no HCFMUSP: Rinologia, Otologia, Bucofaringolaringologia, Plástica Facial e Otoneurologia. Basicamente,  nossos estágios são divididos em períodos nos grupos, onde participamos das consultas ambulatoriais, exames específicos das sub-áreas, cirurgias e procedimentos.

Também temos plantões semanais no PS da Otorrino do HC, que é referência regional. Somos responsáveis por responder as interconsultas de outras especialidades, no R2 e R3. Ainda temos setores próprios de Eletrofisiologia, Foniatria, Sono e Estomatologia, que são divididos entre os respectivos grandes grupos. Temos um estágio exclusivo no ICESP, onde atendemos os pacientes oncológicos da Otorrinolaringologia, e um estágio exclusivo no HU-USP, onde atendemos pacientes de nível secundário para reduzir o viés de alta complexidade do HCFMUSP.

João Vitor: Existem estágios eletivos na sua residência? É possível (e comum) fazer um estágio fora do país?

Pedro: Depende do ano e do número de residentes. Como o número de alunos na residência em Otorrinolaringologia na USP não é fixo, em ano que há muitos residentes, isso é viável. No meu ano, éramos poucos e tivemos uma desistência, então não foi possível. Mas meus R+ tiveram direito, e meus R- teriam tido, se não fosse a pandemia.

João Vitor: Sua residência médica, de uma forma geral, respeita as 60 horas semanais? Conta pra gente qual é a carga máxima de plantão que você dá e se tem algum período de descanso pré ou pós-plantão.

Pedro: Na verdade, não. Ficamos de 96 a 100 horas em média, no R1 e R2. No R3, a carga horária se aproxima das 60 horas, pois paramos de dar plantão e ficamos apenas de sobreaviso para cirurgias.

A carga vai depender do número de residentes por turma. Minha turma foi contemplada em média com 60 plantões por ano, dentre plantões noturnos de 12h e plantões de 24h em finais de semana. Para fazer uma média, cada residente dá um plantão de 24h e dois ou três de 12h numa janela de duas semanas.

O crítico é que após um plantão noturno ou de 24 horas, não temos pós-plantão e emendamos nas atividades semanais da residência.

João Vitor: De 0 (nada) a 10 (demais), o quanto a residência em Otorrinolaringologia na USP foca em parte teórica? Quais são as principais atividades teóricas que você tem?

Pedro: 9. Temos seminários apresentados pelos próprios residentes e orientados pelos preceptores: segundas e quartas-feiras, dois seminários em cada dia. Também temos uma reunião clínica com toda a equipe às quartas-feiras pela manhã e um curso de extensão universitária às quartas de noite. As subespecialidades, geralmente, têm um horário por semana para apresentação e discussão de artigos pelos residentes.

João Vitor: Aproveitando o embalo: de 0 (nada) a 10 (demais), o quanto sua residência foca em parte acadêmica?

Pedro: 6.

João Vitor: Quais são os pontos fortes da residência em Otorrinolaringologia na USP?

A residência em Otorrinolaringologia na USP também tem um estágio no ICESP
A residência em Otorrinolaringologia na USP também tem um estágio no ICESP

Pedro: Boa base teórica, principalmente. Também vemos um volume muito grande de casos em ambulatório e exames da especialidade, pelo tamanho do serviço. Além disso, temos aproximadamente 25 leitos de enfermaria só da especialidade, de forma que nossa convivência com casos crônicos e mais complexos também é intensa.

Nosso PS agora é referenciado, o que é ótimo, pois apesar de uma queda inicial do volume, atendemos apenas os casos que realmente precisam de um Otorrinolaringologista de nível secundário ou terciário, em vez de atender o que uma UBS resolveria. Isso é crítico, considerando que não temos descanso pré e pós-plantão. Temos contato com cirurgias muito complexas, mas que nem sempre sobram para o residente (temos muitos Fellowships).

João Vitor: E tem algum ponto que você acha que poderia melhorar?

Pedro: O volume cirúrgico da residência em Otorrinolaringologia na USP é muito baixo. Além disso, também acho necessário destacar a falta de pós-plantão.

João Vitor: Acha que dá para conciliar a residência médica com plantões externos? A maioria faz isso?

Pedro: No R1, eu considero um suicídio. No R2 é bem puxado. No R3, a depender do estágio, pode ser factível. Mas, de verdade, para quem realmente não precisa dos plantões para subsistir, é algo que não vale a pena. Nossa carga de trabalho é tanta, que o pouco tempo que sobra, precisamos estudar para dar conta da carga teórica que também não é pouca. Eu diria que 40% dos residentes em algum momento conseguem trabalhar fora, mas sem nada fixo.

João Vitor: Quais “comodidades” a residência em Otorrinolaringologia na USP disponibiliza?

Pedro: Existe processo de seleção de moradia, conheço 2 colegas que já se instalaram lá, mas não sei detalhes. Parece que sempre tem vaga. Sobre a alimentação, temos direito a almoço e janta, mas a qualidade não é das melhores, apesar da quantidade ser livre.

João Vitor: No seu caso, que não é de São Paulo, você pretende voltar ao seu estado de origem depois da residência? Você conhece alguém que já tenha voltado? Acha que é possível se inserir bem?

Pedro: Sim, pretendo voltar e acho que é viável se inserir. Considero como boato essa história de que quem faz residência numa cidade tem que permanecer por lá. A minoria dos residentes da residência em Otorrinolaringologia na USP é de SP e a maioria acaba, sim, voltando para suas cidades, sem dificuldades.

João Vitor: Última pergunta. Tem mais alguma coisa que você queira falar sobre a sua residência que a gente não perguntou?

Pedro: Não existe residência perfeita. Temos que explorar o melhor de cada uma. Só vejo profissionais brilhantes saindo do HC FMUSP. Principalmente pela carga teórica e pelos casos abundantes e complexos. Nosso ponto fraco nos últimos tempos tem sido as cirurgias, pelas dificuldades relacionadas à falta de anestesiologistas contratados e de circulantes.

Gostou de saber mais sobre como é fazer residência em Otorrinolaringologia na USP?

A residência em Otorrinolaringologia na USP garante o seu preparo completo. Depois de concluir o programa, você vai ter bastante experiência na bagagem e vai estar pronto para começar a atuar com qualidade!

Se ainda estiver em dúvida ou quiser conhecer mais opções, não se preocupe: nós vamos trazer muitos outros programas de residência aqui no blog, como o de otorrinolaringologia na Unifesp. Mas se você já estiver sonhando com uma vaga no programa de residência em Otorrinolaringologia na USP, pode começar a devorar nosso Guia Estatístico da USP, com os assuntos que mais são cobrados na prova teórica. 

Aproveita também para conhecer nosso canal do YouTube! Toda segunda e sexta-feira publicamos vídeos novos no canal da Medway sobre os temas que mais caem nas principais provas de residência médica de São Paulo. Dá só uma olhada nesse vídeo aqui que fizemos sobre um tema super importante de Clínica Médica que cai na prova de residência médica da USP:

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João Vitor

Capixaba, nascido em 90. Graduado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e com formação em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP) e Administração em Saúde pelo Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Apaixonado por aprender e ensinar.