Como é a residência em Pediatria na Unicamp

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Fazer uma residência em Pediatria na Unicamp é o sonho de muitos estudantes de Medicina. A possibilidade de atender com afeto os pequenos pacientes, lidar com rotinas de vacinação e amamentação, assistir a neonatos e entender as diferentes demandas do público infantil é sempre muito recompensador. 

Mas a gente não pode se esquecer dos desafios, que são grandes: pais que podem, por vezes, se tornarem invasivos ou nervosos por conta da enfermidade dos filhos; e também a falta de verbalização do paciente, que vai exigir do médico bastante sensibilidade e rapidez nos diagnósticos e tratamentos. Como toda especialidade, a residência médica em Pediatria tem suas dores e delícias! 

E quem quer se enveredar por esse caminho, já tem que começar agora a buscar todo tipo de informação pra se decidir com segurança. Por isso, a gente fez uma entrevista super bacana com o Felipe, que é R3, e com a Júlia, que é R2, na residência em Pediatria na Unicamp. E fica ligado, porque esta é uma das melhores instituições de ensino do interior de São Paulo! Para saber mais sobre a Unicamp, baixe agora o Guia Definitivo da Unicamp! Nele, você vai encontrar tudo o que precisa — desde a preparação até as provas — para se tornar um médico residente da instituição. 

E já se prepara, viu? A residência médica em Pediatria é a segunda especialidade de acesso direto mais procurada pelos estudantes de Medicina e isso faz com que a concorrência seja acirradíssima em muitas instituições. Mas também é, de longe, a que mais cativa e emociona pelo carinho envolvido na relação médico-paciente. Pra descobrir como é a rotina e a vida do médico residente nessa especialidade, confere aqui embaixo o bate-papo com a Júlia e o Felipe! 

Vista aérea do campus onde é realizada a residência em Pediatria na Unicamp
Vista aérea do campus da Unicamp (Créditos: Antoninho Perri/Unicamp)

Alexandre: Pra começar, qual o melhor estágio residência em Pediatria na Unicamp na sua opinião?

Júlia: Pra mim, é o estágio de Neonatologia, por ser o mais acadêmico e o mais organizado.

Felipe: Também prefiro o de Neonatologia. 

Alexandre: Tem algum médico assistente que você considera sensacional ou exemplo para sua formação? Por quê?

Júlia: Sim, tem a Dra. Fernanda Millen, pela dedicação com o paciente e por tratar as pessoas com todo o respeito do mundo, fora a vontade de ensinar e formar bons pediatras. Pelo mesmo motivo, cito a Dra. Kathyuscia, a Dra. Andrea Pessoto, a Dra. Stefania e a Dra. Andrea Fraga.

Felipe: Para mim, é o Dr. Marcos Nolasco e o Dr. Gabriel Hessel —  exemplos de dedicação, humildade e comprometimento com o doente.

Alexandre: Conta um pouco sobre onde vocês rodam ao longo de toda a residência médica. 

Júlia: Vamos lá! No R1 da residência em Pediatria na Unicamp, atendemos no PSI até ficha amarela e rodamos em UBS, enfermaria de Pediatria e Neonatologia (alojamento conjunto e CO). No R2, atendemos no PSI ficha laranja, vermelha e observação; também passamos em ambulatórios de Pediatria geral, Neonatologia UCI e UTI, enfermaria de Pediatria com pacientes mais graves e na supervisão de R1, e em outra enfermaria de Pediatria de hospital secundário como residente único. Já no R3, rodamos em ambulatórios de Pediatria Geral, de especialidades, na UTI e em outro PSI que não é referenciado como o da Unicamp (com pacientes da amarela até vermelha e observação).

Felipe: No R1, os estágios são divididos em 4 grandes blocos de 3 meses cada —  Neonatologia (alojamento conjunto e sala de parto), Enfermaria de Pediatria, Unidade Básica de Saúde (UBS) e Pronto Socorro Infantil (atendimento aos casos da porta). No R2, os estágios são divididos em 4 grandes blocos de 3 meses cada — Neonatologia (UTI e Semi-Intensivo), Enfermaria de Pediatria, Ambulatórios de Pediatria (rodamos em diversas especialidades) e Pronto Socorro Infantil (observação e sala de urgência). Já o R3 é composto basicamente por estágios ambulatoriais. Rodamos por todas as especialidades pediátricas e outras especialidades que atendem crianças (dermatologia, ortopedia, neurocirurgia e outras) e pela UTI Pediátrica. 

Alexandre: Existem estágios eletivos na sua residência? É possível (e comum) fazer um estágio fora do país?

Júlia: Infelizmente não há.

Felipe: Não existe, fazemos estágios externos no Centro Infantil Boldrini (em oncologia e hematologia) e no Hospital Estadual de Sumaré (hospital secundário), mas tudo dentro da grade normal da residência em Pediatria na Unicamp

Alexandre: Sua residência médica, de forma geral, respeita as 60 horas semanais? Conta pra gente qual é a carga máxima de plantão que você dá e se tem algum período de descanso pré ou pós-plantão.

Júlia: Não respeita, são em média 75 horas semanais, com 85 a 90 horas durante poucos meses do R1. No R2, a carga horária quase sempre não passa de 75 horas e, no R3, não passa de 60 horas. O descanso funciona assim: no R1 e R2, dividimos a escala de plantão noturno e de final de semana com mais 3 pessoas, que fazem em média dois plantões de 12 horas durante a semana e um plantão de 24 horas em dois finais de semana do mês. No R3, são cerca de 5 a 7 plantões de 12 horas quando fazemos estágio em UTI.

Felipe: Não respeita e, em geral, a carga horária é de 80 horas! Os plantões do R1 e R2 são puxados, os grupos formados nos estágios são de 4 residentes e todos os dias um deles está de plantão na área que está passando. Temos direito a folga na tarde do pós-plantão (os estágios de PSI não possuem plantão noturno). O R3 tem plantão apenas quando está passando no estágio da UTI (durante 6 semanas do ano), cumprindo três plantões de 12 horas e um de 24 horas no fim de semana neste período de tempo, com direito a pós de 24 horas.

Alexandre: Me conta rapidinho: de 0 (nada) a 10 (demais), o quanto sua residência foca em parte teórica? Para entender melhor sua nota, conta pra gente quais são as principais atividades teóricas que você tem ao longo da sua residência.

Júlia: Dou nota 7. Isso vem em melhora, porém ainda precisa de uma reforma. Na Pediatria geral, temos aulas durante o estágio da UBS e da neonatologia, e no R2 as aulas são basicamente na neonatologia. Com a pandemia, tivemos diversas videoaulas durante todo o ano, de várias especialidades, porém o horário não permitia que todos os residentes acompanhassem. A coordenação mudou recentemente e acredito que investirá nesse quesito.

Felipe: Minha nota é 4. Durante a residência em Pediatria na Unicamp, o único momento que possui atividade teórica programada é durante o estágio de neonatologia. Isso está em processo de mudança — após a pandemia, surgiu a ideia de criar um curso teórico em videoaulas para os residentes.

Alexandre: Aproveitando o embalo: de 0 (nada) a 10 (demais), o quanto sua residência foca em parte acadêmica? Conta mais pra gente sobre como você enxerga esse aspecto na Unicamp.

Júlia: Para a parte teórica, dou nota 8. Temos que entregar TCC na Pediatria geral e depois ao realizar a sub. Eles também estimulam o residente a fazer mestrado desde o R3. Meus docentes sempre estão publicando bastante e, se houver interesse do residente, eles abraçam e investem. Porém, acredito que falta em alguns chefes o academicismo na hora de discutir os casos, como na visita de enfermaria.

Felipe: Nesse caso, dou nota 9. A Unicamp é um centro de excelência em pesquisa — todos os chefes são professores doutores que exercem muitas atividades de pesquisa e os médicos contratados também estão envolvidos em todos esses projetos.

Alexandre: Quais são os pontos fortes da residência em Pediatria na Unicamp? 

Júlia: Temos muitos docentes sensacionais, diversos estágios, pacientes de vários níveis de complexidade, organização, compromisso, excelente infraestrutura de assistência e tratamento respeitoso com os residentes.

Felipe: Eu diria que o ponto principal da residência em Pediatria na Unicamp é a formação ambulatorial, porque passamos muito em diversos ambulatórios com um grande volume de pacientes, o que nos deixa com uma excelente base para atendimento. As discussões são de altíssimo nível, sempre baseadas em literatura atualizada.

Alexandre: E tem algum ponto que você acha que poderia melhorar?

Júlia: No estágio de emergência, o PSI da Unicamp é referenciado e os pacientes costumam subir rápido para UTI, faltando o aprendizado de como manejar pacientes mais críticos na emergência e faltando volume de casos. Por isso, eles conseguiram iniciar, em 2021, o estágio em um novo PSI municipal, de porta aberta, no R3

Felipe: Pela característica do nosso pronto-socorro de um hospital referenciado, o perfil de pacientes foge um pouco do que vemos na “vida real”. Além disso, por ser um PS referenciado, em alguns dias o movimento é baixo.

Alexandre: Acha que dá para conciliar a residência em Pediatria na Unicamp com plantões externos? A maioria faz isso?

Júlia: Sim, e a maioria consegue, principalmente a partir do R2, que é menos cansativo.

Felipe: Nos primeiros anos fica cansativo, mas dá sim! A maior parte já está dando plantões de Pediatria no final do R1 ou início do R2.

Alexandre: Quais “comodidades” a sua residência disponibiliza?

Júlia: Auxílio-moradia (é um aporte financeiro, pois não existe moradia para residente), todas as refeições no bandejão e, se usarmos nosso crachá, temos direito à meia-entrada, descontos em diversas lojas, academias e restaurantes.

Felipe: A Unicamp fornece um auxílio-moradia em dinheiro e alimentação gratuita para todos os residentes.

Alexandre: Júlia, você não é de São Paulo, né? Pretende voltar para a sua cidade? 

Júlia: De fato eu não sou daqui, mas pretendo sim voltar pra minha cidade de origem. 

Alexandre: Vocês conhecem alguém que voltou ou pretende voltar para a cidade de origem? Acham que é possível se inserir bem no mercado?

Júlia: Sim e, pelo que vejo, o fato de ter feito residência na Unicamp abre muitas portas, principalmente para quem vem de regiões com poucos profissionais qualificados como norte e nordeste. Ter essa instituição no currículo facilita muito a vida.

Felipe: Eu sou de São Paulo e pretendo ficar por aqui, mas conheço sim pessoas que voltaram para suas cidades! Acredito que isso seja tranquilo, a Unicamp fornece uma formação de qualidade e os médicos formados aqui são sempre bem-vindos em todas as instituições.

Alexandre: Tem mais alguma coisa que você queira falar sobre a sua residência em Pediatria na Unicamp que a gente não perguntou?

Júlia: A equipe de enfermagem é excelente e ensina muito! 

Felipe: A Unicamp garante uma formação sólida. Como todos os lugares, ela possui seus pontos fortes e fracos, mas nós nos formamos pediatras bem completos. Acho que, como em todas as residências de Pediatria, o currículo da Unicamp tem mudado bastante de um ano para o outro, devido ao processo de adaptação da obrigatoriedade de 3 anos para a formação. Isso certamente vai abrir espaço para muitas melhorias.

Gostou de saber mais sobre como é fazer residência em Pediatria na Unicamp?

Como você pôde ver pelas coisas que o Felipe e a Júlia nos falaram, a residência em Pediatria na Unicamp é marcada por estágios em muitas áreas e isso oferece uma experiência bastante ampla. 

Se você curtiu saber mais, mas ainda não tem certeza se é na Unicamp que você quer fazer a sua residência, relaxa e vem aqui no Blog saber mais sobre outros programas! Comece conferindo quais são as instituições mais buscadas pra fazer residência médica em Pediatria em São Paulo! Você também pode dar uma olhada no nosso Guia Definitivo da Unicamp para saber mais sobre como se tornar um residente lá – desde a preparação até a vida de quem já é residente.

E fica ligado, pois estamos sempre trazendo entrevistas sobre como é a residência médica nas principais instituições de São Paulo! Já conversamos, por exemplo, com residentes de Pediatria da USP-SP, da USP-RP, da Unifesp e da Santa Casa, dá uma olhada! Se tiver alguma coisa que você queria saber mais, fala pra gente aqui nos comentários. Pode ser um dos nossos próximos artigos!

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Gostou de saber tudo sobre a residência em Pediatria na Unicamp?

Como está sua preparação para as provas de residência da Unicamp? 

Se você já sabe que vai mesmo prestar a prova da Unicamp, é preciso se preparar bem, hein? Para ficar por dentro de como é a prova de residência nessa que é uma das melhores universidades públicas do interior do país, confira nosso artigo sobre o processo seletivo de residência médica na Unicamp, no qual passamos todas as informações que você precisa saber, direto ao ponto! No nosso Guia Estatístico da Unicamp você confere quais são os temas e focos que mais caem na prova com base em uma análise que fizemos das provas dos últimos 5 anos.

E, se você já quer começar a estudar, saiba que pode dar os primeiros passos nessa jornada no Extensivo São Paulo, nosso curso que rola ao longo do ano inteiro com videoaulas sobre os temas que você precisa saber e um app com milhares de questões comentadas. Além disso, ao se matricular você ganha o Intensivo como bônus a partir do meio do ano! Corre que ainda dá tempo de se inscrever.

Ah, se você quer saber ainda mais sobre o assunto do texto, é bom dar uma olhada no podcast Finalmente Residente. Nele, recebemos convidados que falam sobre suas vivências nas mais variadas residências e instituições do país! O mais interessante nisso tudo é que você pode ouvir a voz da experiência e conhecer os principais aspectos dessa etapa por meio de quem vive (ou viveu) com afinco a vida de residente. A Giulia Masotti, por exemplo, contou um pouco pra gente sobre a residência em Pediatria na Unicamp. Ela é fera, então, corre lá pra conferir!

https://open.spotify.com/episode/7C4x1mfUJIQO7GXUD2CGiA?si=cc2ebcbb24974a7d
JoanaRezende

Joana Rezende

Carioca da gema, nasceu em 93 e formou-se Pediatra pela UFRJ em 2019. No mesmo ano, prestou novo concurso de Residência Médica e foi aprovada em Neurologia no HCFMUSP, porém, não ingressou. Acredita firmemente que a vida não tem só um caminho certo e, por isso, desde então trabalha com suas duas grandes paixões: o ensino e a medicina. Siga no Instagram: @jodamedway