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Sepse: tudo que você precisa saber

Indicadores de morbimortalidade, prevalência e incidência são conceitos indissociáveis da prática médica, que trabalha com o que é mais frequente. Nos pacientes hospitalizados e que possuem a imunidade comprometida, a sepse se mostra como uma condição que pode gerar uma série de complicações.

Quando falamos de sepse, estamos nos referindo à afecção responsável por 6% das admissões nos Estados Unidos e que causa aproximadamente 15% dos choques em unidade de terapia intensiva. Além disso, no Brasil, a mortalidade do choque séptico beira 50%.

Para você compreender o que é sepse e como essa condição se manifesta no organismo humano, preparamos este artigo com os principais detalhes sobre o tema. Assim, você realiza um diagnóstico mais preciso e potencializa seus estudos.

O que é sepse?

Sepse nada mais é do que uma resposta desregulada do organismo a uma infecção confirmada ou presumida. Essa manifestação é considerada como uma disfunção orgânica.

No caso da infecção por um patógeno, a primeira linha de defesa se manifesta pela resposta inata por meio de macrófagos, monócitos, neutrófilos e células natural killers. Essa interação entre organismo e patógeno é mediada por receptores inespecíficos em um primeiro momento.

A relação resulta na produção de citocinas pró-inflamatórias, como TNF-alfa, IL-1 e  IL-6. As citocinas funcionam como uma mensagem para outras células e sistemas. Assim, elas orientam a ativação e a proliferação de leucócitos, sistema complemento, aumento da adesão endotelial, expressão de quimiocinas e fatores teciduais.

É um exagero na resposta imune que causa danos ao patógeno e ao próprio organismo. No entanto, apesar do estado inicial ser pró-inflamatório, geralmente, é seguido por um estado de imunossupressão, devido à morte celular por apoptose e à resposta reduzida às citocinas. Ou seja, é um sistema ineficiente.

Diagnosticando a sepse

Nem todo paciente infectado ou com suspeita de infecção é séptico. Existe um instrumento que auxilia no pronto atendimento: o quickSOFA (qSOFA). Trata-se de um escore que avalia três variáveis rapidamente no primeiro atendimento. 

Os pacientes que pontuam dois ou mais dos três critérios possuem maior probabilidade de estarem sépticos e evoluírem com prognóstico desfavorável. Deve-se prosseguir com condutas preconizadas diante desses doentes. Por isso, é importante identificar os sinais da sepse o mais cedo possível.

Por definição, a sepse é considerada um aumento maior ou igual a dois pontos no SOFA (Sequential Organ Failure Assessment Score). Sendo assim, investigue os sistemas respiratório, neurológico, hematológico, hepático, renal e cardiovascular.

Algumas alterações são passíveis de serem identificadas durante o primeiro atendimento. No entanto, é necessária a solicitação de exames laboratoriais para complementar a avaliação dos pacientes afetados por essa condição e encaminhá-los para o tratamento adequado.

Entre a triagem, a identificação do paciente de alto risco e a investigação de disfunção, muita coisa deve ser feita. Trata-se de um doente grave que precisa de uma intervenção precoce!

Quando utilizar SOFA ou qSOFA?

Geralmente, o SOFA é melhor utilizado à beira do leito em pacientes com suspeita de infecção, que já estão hospitalizados em uma UTI. A validade preditiva foi melhor que as do critério anterior (SIRS), que é utilizado ainda hoje. Dessa forma, o SOFA deve ser utilizado como critério clínico para diagnóstico de sepse em UTI.

Segundo pesquisadores, o qSOFA possui alto valor preditivo para mortalidade hospitalar para pacientes fora da UTI, sendo também estatisticamente mais significativo que o critério SIRS. Ou seja, qSOFA deve ser utilizado como critério de triagem clínica para diagnosticar sepse.

Tratamento de sepse

O paciente passa pelo protocolo de sepse, em que são aplicados medicamentos e realizados procedimentos para evitar a expansão da condição. Assim, garante a pressão sanguínea e os níveis adequados de açúcar no sangue, o que é essencial para combater essa resposta desregulada de uma infecção.

No primeiro momento do tratamento de sepse, é instituída a antibioticoterapia empírica, o suporte hemodinâmico com reposição volêmica e o suporte às disfunções orgânicas. Assim, avalia-se a necessidade de droga vasoativa e coleta de culturas com antibiograma, buscando disfunções guiadas pelo SOFA. 

Caso nada seja feito, a septicemia evolui para o choque, que culmina na síndrome de disfunção de múltiplos órgãos e na morte. A identificação precoce da sepse e a conduta adequada mudam completamente o desfecho do paciente. Essa é apenas uma das complicações que podem aparecer no plantão.

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AnuarSaleh

Anuar Saleh

Nascido em 1993, em Maringá, se formou em Medicina pela UEM (Universidade Estadual de Maringá) e hoje é residente em Medicina de Emergência pelo Hospital Israelita Albert Einstein e também editor e professor do PSMedway.