5 motivos para pensar em adiar o sonho da residência médica

Se tem uma palavra que o estudante de Medicina conhece, essa palavra é pressão. Em relação à Residência Médica, não é diferente.

Seja por meio da família ou de conhecidos, a sério ou em “tom de brincadeira”, os palpites sobre qual especialidade escolher e quando fazer são constantes. 

A verdade é que, apesar de você imaginar um futuro brilhante, todos te falam que tudo está ficando mais difícil. 

A sentença que certamente mais me incomoda: a de que devemos fazer Residência Médica logo após o fim da graduação, pois “não temos tempo a perder”. 

Justificam que passar um ano “parado” é um atraso de vida e que o mercado de trabalho da especialidade pela qual você se interessa já está saturado. Logo, você precisa correr para se especializar o quanto antes para garantir o seu lugar. 

Afinal de contas, tudo isso faz sentido?

Eu te digo que não. E esse inclusive é um dos bloqueios que podem estar te impedindo de estudar corretamente. Fazer residência médica imediatamente após se formar simplesmente porque é a “tradição” só vai desmotivar seus estudos. Falamos mais sobre esse bloqueio, que chamamos de bloqueio da tradição e vários outros no nosso ebook sobre os 15 bloqueios que estão te impedindo de ser aprovado.

Nas próximas linhas, vou te apresentar 5 motivos pelos quais adiar sua Residência Médica talvez não seja má ideia.

1) Liberdade

Durante os 6 anos de graduação, somos bombardeados com uma quantidade avassaladora de provas e conteúdos. A exigência sobre nós está sempre em “modo hard” e acumulamos preocupações em torno de nossas obrigações. 

Emendar isso com mais 3-4 anos de Residência Médica – em alguns casos, até 6 anos – não é tarefa fácil. E pode ser extremamente estressante. 

Por isso, um intervalo de um ano – o chamado “ano sabático” – para que você consiga aproveitar família, amigos e a si mesmo faz toda a diferença.

Poder se dedicar a atividades que você sempre quis fazer e nunca teve tempo, sejam aulas de francês, violão, piano ou dança. Frequentar com regularidade a academia, crossfit, corridas de rua ou praticar algum esporte. Realizar cursos fora do âmbito da Medicina e viagens para lugares com os quais você sempre sonhou. 

A lista de coisas que você pode fazer é do tamanho de sua imaginação. 

Esse é um tempo que, muito provavelmente, dificilmente você terá caso inicie a sua especialização logo após a graduação, e uma das maiores razões para se considerar quando se pensa em adiar a Residência Médica.

2) Ganhar dinheiro

Sim. É muito bom trabalhar. Ainda mais se for em uma área da qual você gosta. 

Durante a faculdade, geralmente consumimos a maior parte do nosso tempo com atividades curriculares, e só sentimos o cheiro de algum dinheiro por meio de bolsas de monitorias – que são escassas – ou alguns poucos estágios remunerados. Sem contar que, via de regra, ralamos muito por isso. 

No entanto, invariavelmente, a vida melhora quando nos formamos. E embora os honorários médicos tenham se mantido inalterados ou reduzidos ao longo dos últimos anos, ainda assim é possível conseguir uma renda “justa” com um nível de esforço razoável. 

Dinheiro não compra felicidade, mas são inegáveis a qualidade de vida e as novas experiências que ele pode te trazer, sem falar no fato de que ele também te permitirá usufruir integralmente das atividades de sua Residência Médica. Não deixe de aproveitar. ?

Mas calma…

Algumas pessoas se deslumbram com a quantidade de dinheiro que podem ganhar. Com isso, trabalham muito mais do que estudam e não obtêm sucesso nos concursos de Residência Médica no ano seguinte. 

Isso não é pouco frequente. Portanto, se o seu foco realmente for a aprovação na Residência Médica, atenha-se ao seu plano e saiba organizar o seu trabalho e estudo! Caso queira ler mais a fundo sobre esse assunto, temos um artigo voltado exclusivamente ao planejamento para as provas de Residência.

Pegue o meu conselho como exemplo: ao longo do primeiro ano de Residência, além das atividades do programa – 60h semanais -, fazia um plantão de 24h a cada 15 dias, aos sábados.

Fazia isso por conta da necessidade financeira – vocês sabem bem que a bolsa não é lá essas coisas – porém sentia um estresse muito grande devido à alta carga de trabalho. Passar por isso não é nada nada legal, e pode ser que adiar a Residência Médica  te ajude a evitar uma situação do tipo.

3)  Experiência Profissional

Por que não fazer residência logo após formar? Know how!

Esse é o famoso Know-how. Lembro-me bem de um dos primeiros dias de Residência. Estávamos em um treinamento prático e o meu grupo participava de uma simulação. O caso clínico era de um paciente com uma síndrome coronariana aguda. 

O diagnóstico do caso era de IAM e, ao ser questionado sobre as condutas para o caso, um colega não titubeou. Na época eu não o conhecia, mas o Dr. Gabriel Leiros, atualmente R4 de cardiologia no InCOR, indicou todas as medicações e doses corretas sem pestanejar. 

Fiquei impressionado, pois embora soubesse o que deveria ser feito, não tinha tudo gravado “de cabeça”. 

Em um papo rápido, Gabriel me contou que precisou adiar a Residência Médica e, no meio tempo, realizou um ano de serviço militar obrigatório, período em que teve a oportunidade de trabalhar no ambiente de emergência. Com isso, além de estar de frente com várias patologias clínicas, “pegou mão” em diversos procedimentos e aprendeu sobre os fluxos de trabalho nesse tipo de ambiente. 

Isso permitiu a ele adquirir aprendizado e agilidade no raciocínio clínico. Ao longo da Residência, pude adquirir essa experiência e excelência para atuação profissional. Porém, é inegável que ao iniciar o R1 ele estava melhor preparado para os desafios que iríamos enfrentar. 

4) Escolher as melhores opções

Assim como é comum entre estudantes do Ensino Médio que ainda não decidiram qual curso escolher, muitos médicos recém-formados não têm certeza de qual Residência Médica fazer. Além disso, também não sabem onde se especializar: USP? Santa Casa? UNESP? SUS-SP? UNIFESP? Sírio Libanês

Sem falar nas inúmeras outras opções, dentro e fora de São Paulo.

Tirar um tempo a mais para pensar nessa escolha tão importante nunca é ruim, e evita que, futuramente, você se veja em uma área completamente diferente do que você desejava.

Aliás, se você se identificou com o que eu falei, acho que você vai curtir ler nossa série de posts em que entrevistamos várias pessoas que fazem Residência de diversas especialidades, como por exemplo Dermatologia ou Clínica Médica na USP, na Unifesp ou em qualquer uma das instituições mais reconhecidas de São Paulo.

O recado tá dado: não tenha medo de experimentar!

5) Preparar-se para uma boa Residência Médica

Sim. Nós sabemos. Ao final de 6 anos, você deve estar cansado de estudar. Isso é a mais pura verdade. Entretanto, agora é diferente. Como você vai ter mais tempo livre, o estudo fica mais prazeroso. 

Além do mais, o tempo disponível aliado ao planejamento e à organização estratégica nos estudos podem ser um diferencial para você chegar mais longe do que chegaria caso prestasse os concursos de logo após a graduação, ao invés de adiar a Residência.

E convenhamos: você prefere passar na prova e realizar sua Residência Médica em uma instituição qualquer no ano em que você se formar ou em uma instituição valorizada e de renome um ano após se graduar? 

Sem dúvidas, as portas que foram abertas para mim após a aprovação no Hospital das Clínicas da FMUSP certamente não seriam as mesmas caso tivesse me especializado em outro hospital. 

O respeito e admiração que os colegas de profissão e os alunos têm por profissionais oriundos de instituições consolidadas também é um ponto a ser valorizado. Certamente, eles te olham de outra forma. 

Tenho plena convicção de que a qualidade do profissional médico depende principalmente dele mesmo. O que significa que você pode ser um médico especialista excelente onde quer que esteja. Basta se dedicar para isso. 

Porém, no princípio de sua carreira, é fato que suas oportunidades serão maiores caso você tenha o título de uma instituição reconhecida. E até as portas mais fechadas vão se abrir para você.

Inclusive, se você quiser correr atrás desses títulos, talvez te interesse a leitura dos nossos posts que tratam especificamente das provas da USP, da Unifesp, da Unicamp, da Santa Casa, da USP-RP e do IAMSPE. E se você quer dar um gás na sua preparação, dá uma olhada na Academia Medway, pois você encontra todos os nossos materiais gratuitos, incluindo e-books e aulas 100% online.

Enfim…

Esses 5 motivos representam muito. Então, se você tem o desejo de “parar um ano” e adiar a Residência Médica, o meu conselho é que você faça isso!

Continua sem saber o que fazer?

Não precisa ter pressa! A sua vida é sua e você faz o que quiser com ela. Quanto às suas escolhas de futuro, você não deve explicações a ninguém. E o julgamento de outras pessoas ou preocupações com “o que os outros vão falar” não podem influenciar nos seus desejos.

Concorda comigo? Discorda? Fala pra gente! É só mandar sua dúvida que a gente responde! 

E se você tem algum amigo que também tem essas dúvidas e gostaria de ler esse texto, compartilhe! Tem muita gente que precisa ler isso.

Mas se, por outro lado, você decidiu que quer sim fazer a residência de uma vez e agora sente que precisa de uma mão para brilhar nos estudos e, consequentemente, nas provas de residência médica, a Medway pode te ajudar! A Mentoria é a oportunidade perfeita para quem precisa de orientação sobre rotinas e metodologias de estudo, transmitindo a confiança necessária pra que você conquiste a aprovação na residência dos seus sonhos! Inscreva-se agora!

Caso queira saber mais da nossa opinião a respeito de tudo isso, falamos exatamente sobre esse assunto no vídeo abaixo. Confira:

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João Vitor

Capixaba, nascido em 90. Graduado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e com formação em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP) e Administração em Saúde pelo Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Apaixonado por aprender e ensinar.